31.5.06

Timor-Leste: textos importantes

31/05/2006 - 09h15 (Lusa Brasil/UOL)
Capital do Timor ainda tem saques, mas tensão já é menor
Díli, 31 Mai (Lusa) - Um dia depois de o presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, ter assumido a responsabilidade pelas áreas de defesa e segurança, a capital Díli estava mais calma hoje, embora alguns incidentes tenham sido registrados.Pelo menos três pequenas mercearias no terminal rodoviário foram saqueadas e incendiadas pela manhã (noite de ontem no Brasil) no bairro de Bécora. Após a intervenção de militares australianos, o local ficou deserto. Também em Bécora, pelo menos cinco casas incendiadas na terça-feira ainda estavam queimando.Já no bairro de Comoro, no leste de Díli, um ataque de cerca de 50 civis armados ao mercado local deixou pelo menos uma pessoa ferida, que foi socorrida por soldados australianos. Segundo testemunhas, o grupo também incendiou seis casas e cerca de dez barracas do mercado.Apesar disso, a tensão em Díli estava menor e, embora a maior parte das lojas continuasse fechada, crianças vendiam hortaliças nas ruas, já havia mais trânsito e postos de gasolina começaram a funcionar. Com tropas australianas em toda parte, os moradores começaram a se deslocar, dirigindo-se para casa ou aos centros de distribuição de arroz - mas voltando ao local onde estão refugiados. Segundo as Nações Unidas, 70 mil pessoas estão desalojadas.A capital timorense vive uma crise desde o final de abril, depois de cerca de 600 soldados terem sido exonerados das F-FDTL (Falintil-Forças de Defesa do Timor Leste) por causa de protestos contra discriminação étnica. A crise se agravou com a deserção de efetivos das F-FDTL e da Polícia Nacional e após confrontos, que também envolveram grupos de civis armados. As autoridades pediram ajuda militar à Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal para combater a violência, que já matou cerca de 20 pessoas.Mais tropasUm grupo de 123 militares da Nova Zelândia chegou hoje a Díli para integrar a força internacional. "A partir de hoje, temos 180 efetivos no Timor Leste", disse a tenente Barbara Cassin, porta-voz das forças neozelandesas no TimorPortugal vai contribuir com 120 agentes da GNR (Guarda Nacional Republicana, a polícia militarizada), cuja partida ao Timor Leste está prevista para amanhã. A Austrália já enviou cerca de 1.800 militares e 50 agentes da polícia federal, enquanto a Malásia tem entre 200 e 250 homens.

Timor-Leste: textos importantes

Bento 16 pede paz e volta à normalidade no Timor Leste
da Efe, na Cidade do Vaticano
O papa Bento 16 fez hoje uma chamada à pacificação e volta à normalidade no Timor Leste, e pediu que a Igreja Católica ajude os desalojados.O pontífice fez o apelo no final da audiência pública das quartas-feiras, que celebrou na praça de São Pedro e que teve a presença de cerca de 35 mil pessoas.O papa disse que seu pensamento está com o Timor Leste, "que nestas dias sofre tensões e violências que causaram vítimas e destruição".Após pedir que a igreja local e as organizações católicas a continuem com a ajuda aos evacuados, junto com outras organizações internacionais, o papa pediu à Virgem Maria que proteja "os esforços de todos que estão contribuindo para a pacificação dos ânimos e para a volta da normalidade" no Timor Leste. Bento 16 pediu ainda a homens e mulheres que "não se esqueçam de Auschwitz" e das "outras fábricas da morte" em que o regime nazista "tentou eliminar Deus para ficar no seu lugar".O papa lembrou sua recente viagem à Polônia, onde seguiu o exemplo de João Paulo 2º e visitou os campos de extermínio nazistas de Auschwitz e Birkenau, perto de Cracóvia.NazismoBento 16 condenou duramente o nazismo e disse que os cristãos devem testemunhar o Evangelho "para evitar" que o terceiro milênio venha a conhecer horrores como os de Auschwitz e Birkenau."Naqueles lugares tristemente conhecidos no mundo todo, como em outros campos semelhantes, Hitler mandou exterminar milhões de judeus. Em Auschwitz e Birkenau, morreram cerca de 150 mil poloneses e dezenas de milhares de homens de outras nações. Diante do horror desses campos, não há outra resposta a não ser a Cruz de Cristo", disse."Que a humanidade não esqueça Auschwitz e as outras fábricas da morte nas quais o regime nazista tentou eliminar Deus e tomar seu lugar. Que não ceda à tentação do ódio racial, que é a origem das piores formas de anti-semitismo", clamou o papa.Bento 16 pediu também que os homens reconheçam Deus como o Pai "que chama todos nós para construirmos juntos um mundo de justiça, de verdade e de paz".

Timor-Leste: textos importantes

31/05/2006 - 08h32 UOL/LUSA
Presidente e premiê do Timor discordam e reunião é adiada
Díli, 31 Mai (Lusa) - A reunião do CSDS - Conselho Superior de Defesa e Segurança doTimor Leste -, que estava marcada para hoje, foi adiada devido a um"braço-de-ferro" entre o presidente Xanana Gusmão e o primeiro-ministro Mari Alkatiri, disse à Agência Lusa uma fonte do governo. Em entrevista à Lusa, o premiê afirmou que não pretende uma disputa com o presidente, mas confirmou oadiamento do CSDS.
Ontem, após uma reunião de dois dias do Conselho de Estado, Gusmão anunciou teraconselhado Alkatiri a demitir os ministros da Defesa, Roque Rodrigues, e doInterior, Rogério Lobato, e que assumia temporariamente a responsabilidade pelasáreas da defesa e segurança. "Há um braço-de-ferro entre o presidente e oprimeiro-ministro porque Xanana Gusmão quer que os ministros sejam exonerados antese não participem na reunião (do CSDS)", disse a fonte, que não quis ser identificada.
Segundo a fonte, o premiê "rejeita" a posição de Gusmão e "insisteque os dois ministros devem participar da reunião" do CSDS. "Alkatirireafirma que esse assunto (demissão dos ministros) é da competência exclusiva dogoverno".Em entrevista à Lusa, Alkatiri não quis adiantar se demitirá os ministros da Defesae do Interior. "Prefiro falar disso amanhã. Ouvi o conselho de Xanana, registrei e vou partilhar isso com os meus colegas do Conselho de Ministros",afirmou Alkatiri.
Questionado sobre o "braço-de-ferro" com Gusmão, Mari Alkatiri afirmou que não pretende "criar quaisquer obstáculos ou dificuldades", mas disse"nunca houve esta exigência de demissões antes da reunião do CSDS" duranteo Conselho de Estado. "Não quero criar dificuldades, mas simplesmente nãoestava informado destas condições novas para que a reunião do CSDS pudesse ocorrer", disse.
Negando que queira uma queda-de-braço com o presidente, o premiê acrescentou que, sesoubesse que o afastamento dos ministros seria uma condição para o CSDS, "teriadito que era impossível". "Isso envolveria um processo, procedimentos. Não tenho por hábito impor condições ou exigências a outros órgãos de soberania",afirmou.Mari Alkatiri informou que convocou uma reunião do Conselho de Ministros para amanhã. Ele reiterou que continua à frente do governo e não pretende renunciar, anão ser que seu partido, FRETILIN, exija. "Sou primeiro-ministro indigitado pelo meu partido. Face a toda esta pressão, se eu me acovardasse estaria a trair meupartido", afirmou.A capital timorense, Díli, vive uma situação de violência desde o final de abril,depois de cerca de 600 soldados terem sido exonerados das F-FDTL (Falintil-Forças deDefesa do Timor Leste) por causa de protestos contra discriminação étnica. A crisese agravou com a deserção de efetivos das F-FDTL e da Polícia Nacional e apósconfrontos entre eles e grupos de civis armados. As autoridades timorenses pediramajuda militar à Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal para combater aviolência, que já matou cerca de 20 pessoas e deixou 70 mil desalojados.
(via Crocodilo Voador)

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Timor-Leste: Base de dados de violência de 1999 desapareceu - Procurador-Geral
Lisboa, 30 Mai (Lusa) - As bases de dados da violência de 1999, guardad as na Procuradoria-Geral de Timor-Leste, e dezenas de processos desse período e mais recentes desapareceram ou foram destruídos no saque à sede daquele órgão, d isse hoje o procurador-geral timorense. Contactado telefonicamente pela Lusa em Díli, Longuinhos Monteiro expli cou que os autores dos ataques ocorridos nos últimos dois dias roubaram centenas de computadores que estavam no edifício da Procuradoria-Geral, incluindo os que tinham as bases de dados dos crimes de 1999. "Destruíram muitos processos e o mais importante é a base de dados que tínhamos, que desapareceu", disse à Lusa, referindo-se quer aos gabinetes princi pais da procuradoria quer aos da secção de Crimes Graves, que investigou os proc essos dos massacres de 1999, em que morreram cerca de 1.500 timorenses. "Alguns documentos dos arquivos nacionais e processos que estão em inve stigação e outros de pessoas na cadeia também desapareceram", afirmou. Os processos de 1999 referem-se à onda de violência levada a cabo por m ilícias pró-Indonésia, apoiadas por militares indonésios, antes e depois do refe rendo de 30 de Agosto, em que a maioria dos timorenses votou a favor da independ ência de Timor-Leste. Longuinhos Monteiro disse que dezenas de jovens com armas brancas ataca ram os edifícios da Procuradoria-Geral, destruindo equipamento e entrando igualm ente no complexo da Medicina Legal. "Até entraram nos gabinetes dos médicos forenses, onde ainda estavam re stos mortais de vítimas ainda não identificadas dos crimes de 1999. Viraram tudo do avesso e destruíram muitas coisas", afirmou. O procurador-geral timorense manifestou a sua preocupação de que poderá ser "impossível" recuperar uma grande parte dos registos roubados ou desapareci dos, criticando o corpo diplomático e as Nações Unidas por não garantirem a segu rança no local. "Há vários dias que ando a apelar à missão da ONU aqui e às embaixadas da Austrália e dos Estados Unidos - dois dos países que mais dinheiro gastaram n os processos dos Crimes Graves - e ninguém mandou qualquer segurança", afirmou. "Eu bem tentei travar mais roubos, mas sozinho não consigo fazer nada. Os funcionários internacionais que estavam aqui foram retirados do país e nós, o s poucos que aqui ficámos, não conseguimos proteger nada", sublinhou. Longuinhos Monteiro disse que, para já, é impossível precisar se os ind ivíduos envolvidos no saque e na destruição pretendiam apenas roubar equipamento ou outro material ou se pretendiam destruir os processos. "Não posso precisar. Eles roubaram muito equipamento, todos os computad ores e outro material. Arrebentaram as gavetas e os armários que estavam fechado s para roubar coisas do interior", afirmou. "Os danos são elevados e vai ser muito complicado voltar a reconstruir isto. São anos e anos de muito e muito trabalho que desaparecem assim", sublinho u. Longuinhos Monteiro disse que os ataques à Procuradoria-Geral, ao Minis tério da Justiça e a outros edifícios públicos, bem como a onde de saques e dest ruição de propriedade privada em Díli, se assemelham ao comportamento das milíci as pró-Indonésia em 1999. "O comportamento é igual. Agora não há milícias, mas estes indivíduos c omportam-se de mesma maneira. Já não via nada assim desde 1999", comentou. "Saqueiam os sítios e depois queimam-nos. A lei e a ordem não existem, não há polícia e locais como este estão totalmente à mão dos atacantes", disse. "É muito triste. Não tenho mais palavras. É muito, muito triste", acres centou. Nos últimos dias, várias pessoas foram mortas e grupos de civis têm saq ueado e incendiado residências e edifícios públicos em Díli, naquela que é consi derada a pior crise no país desde que Timor-Leste se tornou independente a 20 de Maio de 2002. Face à deterioração da segurança na capital, as autoridades timorenses solicitaram ajuda militar e policial à Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portu gal. Uma força de 1.800 militares australianos encontra-se já no terreno, be m como entre 200 e 250 efectivos da Malásia. Uma companhia de 120 militares da GNR deverá seguir para Díli ainda est a semana. A ONU estima em 60.000 o número de pessoas desalojadas devido ao clima de violência em Díli. ASP. Lusa/Fim

Timor-Leste: textos importantes

The Australian
By Tracy Ong and Mark DoddMay 31, 2006

" EAST TIMORESE Prime Minister Mari Alkatiri should "step down" to avoid being sacked by President Xanana Gusmao as a catalyst for peace, East Timor's first lady said yesterday.

Mr Gusmao's wife Kirsty Sword-Gusmao said the strife-torn nation's Government needed to show "it is prepared to put the interests of ordinary citizens above the needs of the (ruling Fretilin) party, and I think that is part of the problem".

"We support calls for his (Dr Alkatiri's) resignation. There's certainly a push in that direction," Ms Sword-Gusmao said.

Her provocative comments came as a political standoff continued with talks overnight aimed at putting pressure on an increasingly isolated Dr Alkatiri.

A meeting of the country's Council of State was believed to be edging towards a compromise that would see two senior ministers - Interior Minister Rodrigo Lobato and Defence Minister Roque Rodrigues - resign but keep Dr Alkatiri in power.

Dr Alkatiri was last night resisting attempts to force him to hand power for law and order from his Cabinet to the office of the President as Australian-led peacekeepers tried to put a lid on a resurgence of gang violence and hooliganism across the country.

With her husband "laid low" since the violence erupted last week with three herniated discs in his back, Ms Sword-Gusmao has been more outspoken than the President, who limited his comments to calls for calm to the warring parties in his first public appearance on Monday.

But would Mr Gusmao move to sack Dr Alkatiri and remove what they saw as the obstacle to peace in Timor?
"I would hope that it does not come to that, (but) I don't think anything is impossible at the present time," she said.

Last Tuesday, Ms Sword-Gusmao personally told 40 families who had taken shelter in her son's preschool that it was safe to go back to their homes.

"We were strongly of the view the violence had abated," she said.

"They were saying there's more ahead, and within the next 24 hours all hell broke loose."

"Neither Xanana or myself could have predicted that, but when you have lived with political violence for most of your life you can smell it coming a mile away," she said.

Ms Sword-Gusmao, an aid worker who moved from Melbourne to Dili in 1999, denied that her husband was suffering from a debilitating illness, saying he was sufficiently mobile to chair crisis talks.

"It has been two years now without any problem ... He's fine actually, apart from his back."

The couple's three children Alex, 6, Kay-Olok, 4, and Daniel, 18 months, have been house-bound since the violence erupted last week.

Timor-Leste: textos importantes

Não se pode deixar de ler:
Dig in to save Timor
This crisis reveals underlying problems in East Timor that cannot be solved quickly, writes Foreign editor Greg Sheridan
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May 27, 2006

THE tragedy of East Timor would make the angels weep. Just as it was the Timorese civil war that in 1975 precipitated Indonesian military intervention, with all of its dolorous consequences, so it is civil conflict today that has precipitated Australian military intervention.
The two interventions cannot be compared, of course. Hopefully, Australia's will be short and relatively non-violent. And no one in Australia wants to incorporate East Timor.

But it is time to speak bluntly. The situation in East Timor is much worse than even most analysts and commentators realise. The savage killings and lawlessness of the past few days, the fighting between soldiers and police, and between soldiers and soldiers, and police and police, represent a catastrophic failure of the East Timorese Government.

It could have been much worse. The sophistication of Foreign Minister Jose Ramos Horta and the continuing moral authority of President Xanana Gusmao are among the only positive features in a bleak, bleak picture. But Australians should know that Canberra is embarked on a giant and immensely complex project of nation building in East Timor. It is much more complex than it looks and involves most of the elements of national power and international diplomacy that Australia commands.

Two days ago UN Secretary-General Kofi Annan told Prime Minister John Howard "you're a good people" and praised the courage of Australians for their willingness to get involved immediately in East Timor's latest crisis.

Annan's comments reflect his own judgment, but also the emerging consensus on the UN Security Council. Those absurd analysts who continue to insist that there is a choice between Australia's Asian diplomacy and its US alliance should look at the UN politics of East Timor.

In a telephone conversation, US Secretary of State Condoleezza Rice asked her Australian counterpart, Alexander Downer, a simple question: "What do you want us to do?"

When you are confronting a regional crisis, having the world's biggest power as your best friend is an immense advantage.

US assistance is evident in logistics support, but much more importantly in the politics of the UN Security Council. But there is also a critical Southeast Asian dimension to this. Australia must manage its East Timor actions with the ever-present consciousness of Indonesian opinion and reaction. East Timor is an intimate part of a triangular relationship between Canberra, Jakarta and Dili.

Here Ramos Horta's sophistication plays a critical part. Downer briefed his Indonesian counterpart, Foreign Minister Hassan Wirajuda, in detail on Australia's proposed operations in East Timor and won his general approval for the mission. Ramos Horta shrewdly asked for Malaysia to be part of the international assistance.

This was an astute move. The East Timorese have good memories of the Malaysian involvement with Interfet in 1999.

Malaysia readily agreed and may send as many as 500 soldiers to help. They will be of great use in themselves, but the presence of Malaysian soldiers - of the other big Muslim nation in Southeast Asia - is also a huge benefit in managing Indonesian public opinion.

It virtually guarantees support for Australia's actions from ASEAN more generally, too. And of course the Malaysian military has long experience of working with its Australian counterparts through the Five Power Defence Arrangements.

So the East Timor venture brings together every element of Australian diplomatic engagement: local, regional, multilateral and UN focused, and of course the critical relationship with Washington.

The Howard Government is prepared for a deployment in East Timor that will last months, if not years, though of course not at the level of the 1300 or more troops that should be reached by the end of the weekend.

The Australian operation will run along three main lines during the next few weeks.

First, and most important, will be the stabilisation phase produced by the Australian soldiers. This all depends on the credibility of our soldiers. This credibility in turn depends on the Australian army's firepower which, because it is so formidable, may not have to be used at all; the professionalism of the army; and the connections many Australian soldiers already have with East Timor.

Second, Downer is likely to lead an effort to substantially enhance the UN presence in East Timor. The UN's representative, Japanese diplomat Sukehiro Hasegawa, is ineffective. If the UN sends back its former representative, Ian Martin, this will give the UN a greater weight in East Timor and assist in the political management of Timorese affairs.

Moreover, while Australia will provide the bulk of any external resources to help East Timor, the UN badge has credibility with the East Timorese and offers a halo of sanctity for the operation in the region, especially within Indonesia. Although this is essentially an Australian show, the deep involvement of the UN can be useful, provided it is well led and works hand in glove with Canberra.

Third, Canberra will send in some police to work with the remnants of the East Timorese police force, to try to resurrect them into some kind of effective policing body. However, there is a body of opinion in Canberra that the expeditionary police model has not been wholly successful.

Australian police are good, and they are certainly brave and selfless. But there is no getting away from the fact they are not trained to the same level as our soldiers. Further, there are very few Australian policemen who speak Tetun.

This crisis reveals dreadful underlying problems in East Timor that cannot be solved quickly but that must be addressed.

Mari Alkatiri has been a disastrous Prime Minister. He leads the so-called Mozambique clique of Fretilin ideologues. The catastrophic decision to make Portuguese the national language of East Timor perfectly illustrates the dogmatism and unreality of Alkatiri's approach.

This decision disfranchised young East Timorese who speak Tetun, Indonesian or English. It entrenched the clique of ageing, dogmatic Marxist-Leninists within Fretilin and exacerbated every division within East Timorese society. And it does nothing to help East Timor earn a living in the international economy.

East Timor's security forces are far too big. It is crazy for the country to have an army of 1500 and a police force with paramilitary pretensions that acts as a counter to the army, with both institutions internally riven. Instead of providing for the nation's security, the East Timorese armed forces became the security problem.

Although Australian forces have entered Timor at the behest of the legitimate Government, Downer and Defence Minister Brendan Nelson, were at pains to talk of Australian neutrality, that Australia was on no one's side. This is because it is completely unrealistic to imagine that the 600 sacked soldiers at the heart of this dispute - and their sacking is conclusive evidence of Alkatiri's incompetence - could all be prosecuted and put in jail.

The armed forces will need to be drastically downsized and it is hard to imagine how forces that have been shooting at each other can now serve in the ranks beside each other.

But the disaffected soldiers must be reconciled and given some financial compensation and jobs. Otherwise they will constitute a well-trained force ready to revolt in perpetuity.

Finally, this huge and necessary operation must produce the deepest strategic considerations from Australia. Perhaps it would be better to station Australian soldiers permanently in some of the most troubled micro-nations of our region, rather than going in after death and destruction have inevitably set things back decades.

Timor-Leste: textos importantes

Why Australia wants “regime change” in East Timor
By Nick Beams 30 May 2006 in World Socialist Web Site
If one were to believe the official version, the intervention of Australian troops into East Timor is driven by the purest motives. They are there simply to restore peace and stability after the collapse of government authority. But this political fiction has been increasingly exposed by events of the past few days as the power struggle which sparked the crisis comes to the surface.
The Howard government’s intervention has nothing to do with protecting the interests of the East Timorese people. It is aimed at bringing about a “regime change”—the replacement of the government of Prime Minister Mari Alkatiri with an administration more in tune with Australian interests.
It has long been a dictum of foreign policy that there are no permanent allies or alliances, only permanent interests. This is certainly the case in East Timor where one of the chief concerns of the Australian government, supported by the opposition Labor Party, has been to ensure that other powers are not able to exert influence in what is explicitly referred to as “Australia’s own backyard”.
In 1999, the Howard government sent in troops to spearhead the UN military intervention in order to ensure that Australia, rather than the former colonial power, Portugal, exercised the greatest authority in post-independence East Timor and was in the best position to exploit its valuable oil and gas reserves. Nearly seven years on, the essential motivations remain the same.
The underlying conflict with Portugal came into the open last Friday when Prime Minister John Howard asserted during an interview that the crisis in East Timor was due to “poor governance”. This was a clear shot at Alkatiri’s government. It brought an immediate response from Portuguese Foreign Minister Diogo Freitas do Amaral, who criticised Howard’s remarks as “interference in the internal affairs” of East Timor. “We disagree with this kind of declaration by foreign countries,” he said.
But Howard was not deterred. In fact, he decided to say more at the next available opportunity.
In an appearance on the ABC television “Insiders” program on Sunday morning, Howard was asked “how bad” the government of East Timor had been and whether the responsibility rested with Alkatiri.
Howard said he did not want to get into “detailed commentary about the politics of the country” but proceeded to do just that. It was obvious, he said, that the country had not been well governed over the past few years. He said he was not going to retreat from his comments of two days before.
Pressed on longer-term Australian plans—whether there should be an East Timorese equivalent of the situation in the Solomon Islands where Australian officials have taken charge of the finance ministries, as well as the police and prisons —Howard went further.
“Well I don’t rule anything out, but I don’t want to presumptuously declare that that’s going to happen or ought to happen without the matter being discussed with the East Timorese,” he said. “I mean, we have a delicate path to tread here. On the one hand, we want to help; we are the regional power that’s in a position to do so. It’s our responsibility to help, but I want to respect the independence of the East Timorese. But then on the other hand, again, they have to discharge that independence or the responsibilities of that independence more effectively than has been the case over the last few years.”
The “delicate treading” concerns the activities of Australia’s rivals in the region, as indicated by the remarks of the Portuguese foreign minister. So far, the Howard government has been able to counter these pressures because of the backing it has enjoyed from the United States. Just as the Clinton administration backed the 1999 intervention, Secretary of State Condoleezza Rice has made it obvious that the US is fully backing the latest troop deployment. In a telephone conversation with Australian Foreign Minister Alexander Downer she is reported to have asked: “What do you want us to do?”
The immediate focus of regime change is the consultative Council of State meeting presently being held in Dili. This body, convened under President Xanana Gusmao, has the power to sack the Alkatiri government and appoint a so-called “national unity” government until elections due to be held next May.
After a nine-hour meeting yesterday, the council failed to make a decision and further negotiations are being held today. While there was no official announcement, East Timorese foreign minister Jose Ramos-Horta made it plain that, as far as he and Gusmao are concerned, Alkatiri should step down.
Speaking on ABC television, Ramos-Horta said: “What is necessary now is a political resolution of the current political crisis that involves, obviously, primarily the prime minister in a sense that so many people are wanting the prime minister to step down.”
When asked to put his own position, Ramos Horta, declined to comment, saying he was involved in negotiations with both sides.
Within East Timor the campaign to oust Alkatiri, the leader of the ruling party, Fretilin, has been underway for some time. It burst into the open a year ago, following Alkatiri’s decision to make religious education in schools optional rather than compulsory.
This elementary move to separate church and state brought furious denunciations from the Catholic Church. Demonstrations were held calling for the ousting of Alkatiri and for an end to his “extremist government”. In a pastoral note issued in April 2005 the church hierarchy in Dili said the cabinet contained secret “Marxists” who endangered democracy. The government was following policies based on the “Chinese model” and the “retrograde Third World”.
According to a report in Asia Times, the US ambassador to East Timor openly supported the church in its street protests against the government last year, even attending one of the demonstrations in person.
Last January, a leading Fretilin member of the national parliament, Francisco Branco, denounced a prominent priest for waging a campaign to bring down the government. According to Branco, the priest had told churchgoers that a decision to send students to study in Cuba would turn East Timor into a communist country and Fretilin had a plan to kill nuns and priests if it won the next election.
Once the military intervention was launched, the Australian media, taking its cue from the Howard government, stepped up the denunciations of Alkatiri.
In a comment published last Saturday, the Australian foreign editor Greg Sheridan denounced Alkatiri as a “disastrous prime minister” leading the “so-called Mozambique clique of Fretilin ideologues”—a reference to Alkatiri’s long period of exile in another former Portuguese colony during the Indonesian occupation of East Timor.
“The catastrophic decision to make Portuguese the national language of East Timor perfectly illustrates the dogmatism and unreality of Alkatiri’s approach. This decision disenfranchised young East Timorese who speak Tetun, Indonesia or English. It entrenched the clique of ageing, dogmatic Marxist-Leninists within Fretilin and exacerbated every division within East Timorese society. And it does nothing to help East Timor earn a living in the international community.”
Alkatiri and his supporters are neither “Marxists” nor “communists”. Nor are the Howard government and its mouthpieces in the media concerned about the government’s policies toward the people of East Timor. Their opposition to Alkatiri centres on the fact that his faction has sought to win support from other major powers, principally Portugal, and increasingly in the recent period, China, as a counter-weight to the pressure of Australian imperialism.
Alkatiri, in particular, raised the ire of Canberra during the protracted negotiations over the exploitation of the oil and gas reserves when he denounced the Australian government for its bullying tactics.
After four years of intransigence from Howard and Downer, the Dili government was last year forced to agree to delay the final settlement of the maritime border between the two countries for 50 to 60 years. Under international boundary law—which Australia has refused to recognise—East Timor is entitled to most of the oil and gas revenues. But Canberra finally succeeded in having Dili drop its claim of sovereignty over key resource-rich areas of the Timor Sea for two generations; by which time the main oil and gas fields will be commercially exhausted.
If Alkatiri were regarded as an Australian ally in East Timor, rather than as an obstacle, then the attitude of the Howard government, and, correspondingly, commentary in the mass media, would have been quite different.
For a start, the so-called dissident soldiers, whose rebellion sparked the crisis, would not have been portrayed as having legitimate grievances. Instead, the government’s decision to sack them after they went on strike would have been supported. Rather than Australian military commanders holding discussions with the “rebels,” they would have been denounced for organising a mutiny, taking the law into their own hands, and creating the conditions for “terrorism”. Their campaign for the ousting of the Alkatiri government, however, dovetails with Australian interests.
Those interests centre on securing Australia’s position in a region where great power conflicts are increasing. As a comment in yesterday’s Australian Financial Review noted, the emerging rivalry between Japan and China is extending into the Pacific, posing a “real challenge for a government that is always claiming to be on such good terms with Tokyo and Beijing”.
Pointing to the long-standing economic issues that have always motivated Australian foreign policy in this region, the comment continued: “It’s worth remembering that in 1920, Australian strategic planners were worried about Japan trying to get its hands on the rumoured oil resources of Portuguese Timor, but in 1975 there were fears that China would manipulate a leftish independent Timor for territorial advantage.”
Now that the existence of oil and gas resources had been clearly established, the rivalry between Japan and China for energy would pose increasing challenges for Australia, the comment noted.
One of the ways of meeting these challenges is to ensure that a “reliable” regime is in place in Dili. This is a major factor underlying the power struggle now being played out in the East Timorese capital.

See Also:

Timor-Leste: textos importantes

Apesar de ser do passado dia 25, convém ler:

Fractured democracyAustralian troops heading to East Timor to restore law and order face a number of warring factions, writes Mark Dodd
May 25, 2006

Nation divided: East Timorese soldiers patrol the outskirts of Dili
ON Tuesday he was in the hills above East Timor's capital Dili putting his Australian military training to good use, trying to kill his former army comrades. Alfredo Alves Reinado, the highest ranking East Timorese army officer to join 595 other military rebels, has shown he is prepared to back his threats with action.
At least two soldiers, one rebel and one loyalist, have died in gun battles on the capital's western outskirts as violence in East Timor once again spirals out of control.
Reinado is emerging as a central player in the crisis that was triggered earlier this year with a protest by 595 soldiers over poor pay and conditions and ethnic discrimination over promotion.
The ethnic fault line runs deep in East Timorese society but in the case of the army, known by its Portugese acronym F-FDTL, it pits eastern-born Timorese (Lorosae) against their western kinsfolk, the Loromonu. On April 27-28 it exploded into deadly violence on the streets of Dili.
The uprising caused a change of career path for Reinado, whose CV makes interesting reading.
Captured by Indonesian troops in 1975, he served as a porter in the Indonesian army in Sulawesi and Kalimantan before escaping to Australia. He found work in Western Australia's shipyards for nine years before returning to his homeland after the historic 1999 referendum for independence.
His nautical skills were quickly put to use by the commanders of the country's new F-FDTL defence force and he was appointed commander of East Timor's two patrol boat navy. But his career soured quickly, perhaps due to what one of his former trainers describes as his "direct manner", typical of the straight-talking style of Australian waterside workers. East Timor's armed forces commander, Brigadier-General Taur Matan Ruak, ordered he be transferred to army headquarters in Dili. It was a slight he would not forget.
He stayed in the defence force and was appointed commander of a new 33-strong military police platoon after a training stint at the Australian Defence Force college in Canberra late last year.
He also wangled an operational cruise on one of the RAN's patrol boats, probably with a view to taking charge again one day at the Hera naval station outside Dili.
But the violence in April changed his career plans. On May 4 he gathered together 20 loyal MPs and four members of East Timor's elite paramilitary riot police, loaded weapons and ammunition on to two lorries and took to the hills of Aileu in sympathy with his Loromonu clan. At first the East Timor Government played down the significance of the desertion. Foreign Minister Jose Ramos Horta said after meeting Reinado that the officer had simply returned to his home town to protect civilians living there. But what Ramos Horta did not reveal was Reinado's past grievances with his eastern-born army superiors and his open sympathy for the plight of the other army rebels garrisoned nearby in the coffee-growing hill town of Ermera; rebels such as Lieutenant Gasto Salsinha, who leads one-third of the army deserters.
As with generations before him, Salsinha and his rebel band are in hiding in East Timor's remote mountain fastness. Ramos Horta says negotiations have started with the rebel soldiers to bring about a peaceful resolution to the protest responsible for the worst violence seen in the impoverished country since the militia carnage in 1999.
East Timorese defence sources say that while bias by eastern-born army commanders against western recruits exists in the country's small army, unheeded complaints of poor pay and conditions are equally to blame for the army protest and subsequent riots on April 28-29.
The violence has left at least six dead and dozens injured. Fighting erupted again in the streets yesterday, resulting in official request for Australian help from the East Timorese Government to restore law and order.
Bigger questions are also being asked about links between Salsinha and Interior Minister Rogerio Lobato over the crisis that has gutted the F-FDTL and threatens its future. In addition to a shared interest in sandalwood futures, reliable East Timorese sources claim Lobato is a pal of Salsinha.
East Timor's army is the only organ of government that is truly independent. It lies outside the control of the ruling Fretilin Party and the politically ambitious Interior Minister. It is an open secret that there are many in power in Dili who would like the army brought under political control and that is the ultimate driving force of this conflict.
The origins of the April 28 riots can be traced back to January 11. That was the date President Xanana Gusmao received a petition from a group of disgruntled 1st Battalion soldiers complaining of poor pay and conditions and discrimination by eastern-born officers against western-born recruits.
Matters worsened on February 7 when 400 soldiers from the 1st and 2nd battalions left their barracks and arrived at Gusmao's Palacio Das Cinzas residence to press their complaints. Gusmao, commander-in-chief of East Timor's security forces, requested the attendance of Defence Minister Roque Rodrigues and Army Commander Brigadier-General Taur Matan Ruak. Both men refused and Ruak's chief-of-staff, Colonel Lere Annan Timor, was sent along instead.
At the meeting Gusmao made several vague promises that the soldiers' grievances would be investigated and ordered them back to barracks. But under the leadership of 32-year-old Salsinha they refused to return. Citing fear of recrimination, they maintained their rage in Dili.
By the end of February the 400 were joined by another 200 battalion malcontents and together they became known as the 591 Group. Tensions continued to rise and in mid-March Ruak discharged all 591 rebel soldiers for failing to return to duty.
In response, late last month Salsinha announced five days of protests in Dili to draw attention to military injustice. The scene was set for a showdown, but the violence of April 28 was almost certainly triggered by the actions of other anti-government groups taking advantage of the ensuing chaos.
Complaints of ethnic prejudice and poor service conditions within the F-FDTL are not without foundation.
Although eastern commanders (all Gusmao loyalists) dominate at battalion and headquarters level, their seniority is not exclusive. Lieutenant-Colonel Filomeno Paixo, head of army logistics; presidential military adviser Lieutenant-Colonel Pedro Gomes; and head of army training Lieutenant-Colonel Sabika are all from the west.
But it is Defence Minister Rodrigues who has much to answer for when it comes to apportioning blame for the crisis. Western diplomats and security analysts blame him for failing to see a crucial draft defence policy tabled before parliament.
"The minister is absolutely incompetent," says one unnamed defence analyst with long-time experience in East Timor.
Plans to establish a military base in the country's west, in Bobonaro district, have stalled. For Loromonu soldiers based in Baucau and Los Palos in the east, it means much of their meagre $120 monthly salary is spent travelling during leave periods to return to their families in the west. In contrast, soldiers based in the army's Dili headquarters get a $7 per day living allowance, which remains a source of great resentment.
Although Salsinha, born in Ermera, represents the interests of the Loromonu rebels, the young officer has a shady past. East Timor defence sources say he was arrested last year for sandalwood smuggling and removed from a captain's training course.
"He has a dark cloud hanging over his head," one Western defence analyst told The Australian.
He also keeps interesting company. Other reliable East Timorese security sources say Salsinha is a friend of Lobato, who is also linked to a mysterious sandalwood seizure in 2002 that has never been satisfactorily explained. The Lobato name is synonymous with East Timor's long and bloody independence struggle. His resistance leader brother Nicolau was killed in a gun battle with pursuing Indonesian special forces troops in 1978. Nicolau's wife was machine-gunned off Dili wharf following her capture in the first days of the Indonesian invasion in 1975.
One of five Central Committee members sent abroad in 1975 (along with Prime Minister Mari Alkatiri, Ramos Horta and Rodrigues), Lobato was instructed to seek support for East Timor's independence struggle. In 1978 he was briefly tutored by the Khmer Rouge before moving to Angola, where he was arrested and jailed in 1983 for abusing diplomatic privileges, diamond smuggling and procuring prostitutes.
After involvement with an Indonesian-sponsored group of "conciliators" in the early 1990s, Lobato, a westerner, returned to East Timor in November 2000 with no significant power base. But not for long.
Excluded from the UN transitional government, he was quickly attracted to the cause of the Falintil veterans, the armed wing of the pro-independence movement that waged a guerilla war against Indonesian occupiers, and helped them organise aggressive public protests that would challenge the legitimacy of the newly formed F-FDTL.
The provocation and threats against the Government paid off and in 2002 Lobato was appointed Minister of Internal Administration. He wasted no time in building up the East Timor National Police Force to rival the F-FDTL.
Lobato remains the man to watch, the one who controls the various factions and effectively controls a 30,000-strong police force with three paramilitary arms.
The grievances of the army, personal ambitions aside, are genuine and procrastinating by the Government has fuelled discontent. This vacuum of decision-making has allowed other groups with a grudge to use the soldiers' dispute to put pressure on the Government.
A meeting of the Fretilin conference last week, when Alkatiri was reaffirmed as leader, was not the circuit-breaker outsiders had hoped for. Following an official request yesterday for help, up to 1300 members of the Australian defence taskforce, including special forces troops, and up to 50 Australian police were preparing last night to go to East Timor to stabilise the country.

Mark Dodd is The Australian's foreign affairs and defence writer.

Timor-Leste: textos importantes

Statement by the East Timor and Indonesia Action Network (ETAN) on the Current Violence in Timor-Leste
May 27, 2006 - We have watched the unfolding situation in Timor-Leste this past week with deep concern. We do not believe that events had to escalate to this point. Like others, we do not have complete information about the current situation and its causes. Below are our initial reflections:The intervention by foreign military and police forces is a sad event for Timor-Leste, whose hard-won political independence has had to be laid aside - we hope for only a short time - because leaders and state institutions have been unable to manage certain violent elements of the population and security forces.Now that foreign forces are being deployed -- at the request of Timor-Leste's government, with the stated support of rebel leaders, and the welcome by most of a terrified population -- we hope that they serve their intended purpose in quelling the violence and allowing negotiations and a peaceful resolution, as well as the identification and arrest of those who have committed crimes.Outside intervention is a temporary solution at best. Timor-Leste must find ways, with respectful support from the international community, to deal with problems in a manner that will not require troops.Statements by Australian government leaders that providing security assistance entitles them to influence over Timor-Leste's government are undemocratic, paternalistic, and unhelpful. Who governs Timor-Leste is a decision to be made by its people within its constitution.Key countries -- including those now sending troops and police -- must examine their roles in relation to the new nation, including the training provided to Timor-Leste's security forces. Australia bears special responsibility for Timor's underdevelopment by refusing to return revenues, totaling billions of dollars, from the disputed petroleum fields in the Timor Sea, including Laminaria-Corallina, and by bullying Timor-Leste into forsaking revenues that should rightfully belong to it under current international law and practice. As in 1999, we must not forget that the Australian government's actions have contributed to the situations their peacekeepers have now been sent to correct. Australia should not view its current assistance to Timor-Leste as a favor, to be repaid, but instead as a partial repayment for the debt Australia owes the Timorese people for its help during WW II and for Australia's deep complicity in Indonesia's invasion and occupation.Independent Timor-Leste had a violent birth. The legacy of Indonesian occupation left the people of the new nation deeply traumatized and impoverished, without governmental institutions and experience. Those who orchestrated, implemented and aided the illegal occupation have never been held accountable.We wonder if international and Timorese failures to ensure justice have led some in Timor-Leste to believe that their own use of violence would be met with similar impunity. As described in the recent report of Timor-Leste's Commission for Reception, Truth and Reconciliation (CAVR), several countries - among them U.S., U.K., and Australia - bear a special responsibility to ensure justice and accountability due to their action and inaction from 1975 on. Reparations, as called for by the CAVR, would help alleviate the poverty and joblessness that have fueled some of the unrest.It must not be forgotten that despite its many problems, the transition from occupation to UN administration to independence has been relatively peaceful, especially when compared to the experiences of many other post-colonial countries. We hope that the recent violence -- which appears to have complex causes -- proves to be an exception.We urge the key political, security force and other actors in the current crisis to evaluate their own actions and recommit themselves to the spirit of national unity and public service, which so ably provided the foundation for the independence movement. Timor-Leste needs to examine whether or not it wants a military and, if so, what is its purpose. In addition to addressing the past, the CAVR report provides useful recommendations for implementing rule of law and improving justice and accountability in independent Timor-Leste.We urge the international community and the UN, especially the Security Council, to work with Timor-Leste to complete the nation-building and development tasks to which they have already committed. If Timor-Leste is to become the success story it has already been portrayed as, further international support is necessary. However, this support must be given in an honest spirit that supports real self-determination and empowers the Timorese people to take full charge of their own destiny.

Timor-Leste: textos importantes

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
DECLARAÇÃO PRESIDENCIAL
MEDIDAS DE EMERGÊNCIA PARA ULTRAPASSAR A CRISE
Ouvido o Conselho de Estado, como órgão consultivo, reunido nos dias 29 e 30 de Maio de2006, no Palácio Presidencial, nos termos dos artigos 90 e 91 da Constituição da República emconformidade com o disposto na Lei n.º 2 de 2005, e considerando:
• A perda de vidas, a perturbação generalizada da ordem pública que perversamente estáa afectar a segurança, os bens e a tranquilidade dos cidadãos, torna urgente promovermedidas adequadas à reposição da autoridade pública em todo o território;
• A necessidade de criar condições para o rápido regresso à normalidade a fim desalvaguardar a ordem constitucional democrática;
• A necessidade de providenciar urgente apoio humanitário às populações carenciadas;
• A grave deterioração da operacionalidade das forças armadas e das forças de segurançanacionais;
• A necessidade de assegurar que a actuação, no território nacional, das forçasinternacionais de defesa e segurança, solicitada pelos Órgãos de Soberania aos Paísesamigos, cumpra os seus objectivos sem prejuízo do respeito pela ordem jurídica vigentee das atribuições constitucionais das autoridades soberanas do País;
• As funções e competências Constitucionais do Presidente da República como garanteda unidade do Estado, da independência nacional e do regular funcionamento dasinstituições democráticas, nos termos do número 1 do artigo 74º da Constituição daRepública;
• A urgência de garantir o exercício efectivo das competências inerentes às funções deComandante Supremo das Forças Armadas do Presidente da República, nos termos donúmero 2 do artigo 74º e da alínea b) do artigo 85º da Constituição:O Presidente da República, em colaboração estreita e articulação permanente com o Primeiro-Ministro e o Presidente do Parlamento Nacional, anuncia que está a providenciar as medidasnecessárias para prevenir a violência e evitar mais mortos, para o rápido restabelecimento daordem pública e do normal funcionamento das instituições democráticas, assumindo aresponsabilidade principal nas áreas da defesa e segurança nacionais, na qualidade deComandante Supremo das Forças Armadas.
Este quadro de colaboração e articulação reforçada envolve as seguintes entidades:
• Os Ministérios da Defesa e do Interior com as entidades e serviços deles dependentes;
• Os Comandos das Falintil-FDTL e da PNTL, nos termos dos Decretos-Lei n.º 7 e n.º 8 de 2004;
• Os serviços de informação e segurança do Estado e o Gabinete de Crise, nadependência do Primeiro-Ministro, nos termos da Lei n.º 8 de 2003 e do Decreto Lein.º 7 de 2004.
• As Forças Internacionais de Defesa e Segurança presentes no Território Nacional porsolicitação dos Órgãos de Soberania;Além disso, aguarda-se que o Parlamento Nacional, no mais curto prazo possível, reuna parase debruçar e acompanhar a situação de crise actual.
Neste sentido, apela para que as pessoas que detenham ilegalmente, armas de fogo, munições, explosivos, armas brancas ou qualquer equipamento militar as entreguem, voluntária eprontamente, às autoridades, designadamente às forças internacionais.
Todos devem colaborar prontamente com a aplicação das medidas de segurança em curso, designadamente:
a) Agrupamentos de pessoas que por seu número e natureza possam representar ameaça àordem pública;
b) Exigência da identificação de qualquer pessoa que se encontre ou circule em lugar públicoou sujeito à vigilância policial;
c) Vigilância de pessoas, edifícios e estabelecimentos por período de tempo determinado; e
d) Apreensão de armas, munições e explosivos.
As medidas de emergência anunciadas não prejudicam que o Presidente da República venha a declarar o Estado de Sítio em conformidade com os preceitos constitucionais devidos, designadamente, a necessária autorização prévia do Parlamento Nacional.
As medidas anunciadas entram imediatamente em vigor e são válidas por um prazo de trinta dias, prorrogável se necessário.
Dili, 30 de Maio de 2006 via Timor Online

Timor-Leste: textos importantes

Xanana assume defesa e segurança e anuncia medidas emergênciaDíli, 30 Mai (Lusa) - O presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, anunc iou hoje ter assumido a "responsabilidade principal" pelas áreas da defesa e seg urança e anunciou um conjunto de "medidas de emergência" para pôr termo à violên cia no país.Numa declaração sem direito a perguntas após dois dias de reunião do Co nselho de Estado, Xanana Gusmão admitiu ainda a possibilidade de vir a decretar o estado de sítio em Timor-Leste, "em conformidade com os preceitos constitucion ais devidos, designadamente a necessária autorização prévia do Parlamento Nacional".As medidas de emergência anunciadas por Xanana Gusmão incluem a "entreg a voluntária e imediata de armas de fogo, munições, explosivos, armas brancas ou qualquer equipamento militar às autoridades, designadamente às forças internacionais".EL.

Timor-Leste: textos importantes

PR vai ser principal responsável pela segurança e defesaDíli, 30 Mai (Lusa) - O presidente da República de Timor- Leste, Xanana Gusmão, vai ser o principal responsável pela segurança e defesa do país por um período de 30 dias, prorrogável, disse à Lusa uma fonte que participou na reunião do Conselho de Estado.A decisão foi aprovada hoje pelo Conselho de Estado, reunido desde segunda-feira, e prevê "mecanismos de coordenação entre o Presidente da República e o primeiro-ministro nas áreas de defesa e segurança", precisou a fonte que pediu anonimato."A decisão tem uma validade de 30 dias, é de cariz excepcional e pode ser prorrogada se necessário. O Presidente será o responsável principal, mas não único pela segurança e defesa de Timor-Leste", afirmou a fonte no final da reunião."O PR, em colaboração e coordenação com o primeiro-ministro e presidente do Parlamento Nacional vai tomar medidas para pacificar a situação. Mas tudo o que é da competência do governo, é o governo que vai executar", afirmou.A fonte referiu que a decisão de hoje não refere especificamente mudanças no executivo do primeiro-ministro Mari Alkatiri, que podem ocorrer, mas serão tomadas no Conselho de Ministros.A questão do afastamento de alguns ministros, nomeadamente Roque Rodrigues, da Defesa Nacional, e Rogério Lobato, da Administração Interna, "foi discutida na reunião", confirmou a fonte.ASP.Lusa/Fim

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Díli, 30 Mai (Lusa) - A GNR é a única força policial que pode impedir que o caos continue em Timor-Leste, disse hoje à Lusa o tenente-coronel Filomeno Paixão, oficial de ligação entre as Forças Armadas timorenses e os militares australianos."É urgente e necessário que a GNR venha depressa. Ouvi dizer que vinham sexta-feira, mas receio que então já não haja casas para queimar e pessoas para matar", afirmou Filomeno Paixão.Defensor de uma actuação "firme e decidida" para enfrentar "este tipo de vandalismo", o tenente-coronel Filomeno Paixão reconheceu que a polícia timorense "ficou destruída" na sequência da crise político-institucional que afecta o país."Nada podemos esperar da nossa polícia, que foi destruída a 75 por cento", acrescentou.As autoridades timorenses solicitaram a Portugal o envio de uma companhia (120 militares) da GNR para Timor-Leste para manter a ordem pública, após confrontos em Díli nas últimas semanas que provocaram vários mortos e de uma onda de pilhagem e destruição de habitações e edifícios públicos.O ministro de Estado e da Administração Interna português, António Costa, garantiu segunda-feira que os 120 elementos da GNR que vão para Timor-Leste já estão "em estado de prontidão" e partirão ainda esta semana se existir transporte aéreo disponível.

Timor-Leste: textos importantes

Ministros da Defesa e Interior saem, Xanana assume segurançaDíli, 30 Mai (Lusa) - Os ministros da Defesa e do Interior do Governo timorense vão ser exonerados dos cargos e o Presidente da República assumirá o controlo completo nas áreas da defesa e segurança, disseram à Lusa fontes do Conselho de Estado.Segundo as mesmas fontes, que pediram o anonimato, esta decisão é o resultado dos dois dias de reunião do Conselho de Estado, órgão consultivo do Presidente da República, convocado para debater a crise político-militar no país.Roque Rodrigues e Rogério Lobato, os actuais ministros da Defesa e da Administração Interna, têm sido duramente criticados nas últimas semanas pela sua actuação na crise com as forças de segurança de Timor-Leste, que se agudizou com o desmembramento da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) e divisões nas Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).O anúncio formal do que ficou acordado na reunião do Conselho de Estado vai ser feito ainda hoje em conferência de imprensa a realizar no Palácio das Cinzas, sede da Presidência.EL.Lusa/Fim

Timor-Leste: textos importantes

Sobre as declarações do Bispo D. Basílio, Manuel Leiria de Almeida:Sr. Bispo de Baucau, minhas Senhoras e meus Senhores!... Todos sabemos, desde há muito tempo, que é esta a opinião de VEXA e da Igreja Católica de Timor Leste. O problema é que para além de dizer isto VEXA não diz qual a alternativa. Se a tem, porque não diz? Ou acha que a sua função é apenas de dizer que o caminho está errado e que o pastor não sabe onde estão as melhores pastagens?O Sr. Bispo, que através da Diocese é o principal empresário de Baucau, já resolveu o problema do desemprego lá? Ou, sequer, encontrou o início do caminho para o resolver?Mais: acha que é fazendo manifestações como a organizada pela Igreja em Dili há um ano atrás que se dá confiança aos investidores para investirem e melhorarem a situação quanto ao emprego?Qual a sua solução em relação ao desemprego? É a "solução indonésia", de "inchar" o aparelho de Estado para dar emprego a toda a gente mesmo que seja para fazer coisa nenhuma?O problema, meu caro Bispo, é que Timor É pobre e não tem a capacidade para, no curto-médio prazo, dar trabalho a toda a gente.O problema é que, nomeadamente devido à posição da Igreja, a população cresce a uma taxa exorbitante e dificilmente haverá crescimento que consiga melhorar, realmente, a situação económica e social da generalidade da população.Eu sei que havia alguns caminhos alternativos para a política económica prosseguida mas não consigo garantir que eles fossem capazes de, só por si, melhorar significativamente a situação económica e social do país. Aliás, acha que o apoio que os doadores têm dado a Timor Leste seria possível se não vissem alguma qualidade nas opções tomadas? Mesmo que elas não sejam as melhores do mundo?Atirar pedras é fácil quando não se tem de tomar decisões. Mas se sabe criticar e dizer que não é este o caminho, então tem também a obrigação de dar sugestões exequíveis sobre o que fazer.E já agora: quando o próximo governo começar a sentir as mesmas dificuldades que este tem sentido para melhorar a situação --- porque não tenha dúvida que as vai sentir... --- o que é que o Sr Bispo vai fazer? "Botar abaixo" o novo governo porque isto e porque aquilo?Convença-se de uma coisa (e convença o seu "rebanho"): é um erro crasso pensar que a independência ía trazer a prosperidade para todos num ápice". Ou quer que, como foi indirectamente proposto no Congresso do CNRT em 2000, o problema se resolva distribuindo, porta sim, porta sim, o dinheiro do petróleo?Resumindo e concluindo: venham de lá essas propostas concretas. Ou então faça como na velha frase dita nos casamentos: quem tiver alguma coisa contra diga agora ou cale-se para sempre! Seria de uma grande ajuda!

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"Incha, rebenta, desincha e depois passa!..."O meu melhor amigo timorense ensinou-me muitas vezes que aquilo que aos nossos olhos "malais" parece nem sempre (quase nunca...) é.De facto, diz ele, a dramaticidade própria que colocam nas coisas faz com que quando parece que o mundo vai explodir, acabam por encontrar, com muita conversa pelo meio --- táctica característica de sociedades sem escrita própria e em que a palavra é tudo ---, um ponto de encontro em que todos ficam satisfeitos por, nomeadamente, lhes permitir salvar a face e não dar a ideia de que há um perdedor e um ganhador. Todos terão de encontrar uma solução em que todos ganhem qualquer coisa. Essa coisa do "the winner takes it all" não é com eles. (Esta terá sido a regra fundamental de que Mari e a FRETILIN se esqueceram desde o início e cujo 'esquecimento' é provavelmente, como dizia o Duarte Pacheco Pereira, "a madre de todalas cousas"!... O resultado está à vista).Tudo se passa como num abcesso: face a uma agressão ele incha mas depois desincha e depois passa... A situação nunca voltará a ser como dantes mas todos ficam satisfeitos.Será isto que vai resultar do Conselho de Estado? Com tanta conversa entre os conselheiros, parece que o método tradicional do "a conversar é que a gente se entende" vai, mais uma vez, produzir os seus frutos.Se for, haja Deus!...Até porque, na realidade, Xanana parece ser a única pessoa em condições de "apanhar os cacos" que restam das forças de segurança. Mas mesmo ele vai precisar de muita cola. E da boa! Daquela que prega cientistas ao tecto!PS - aposto que se esqueceram de distribuir pastéis de nata na reunião!... Se os tivessem distribuído já tinham acabado o "conversé"...Manuel Leiria de Almeida in Do Alto do Tatamailau, 26 de Maio de 2006

Timor-Leste: textos importantes

Ainda quanto à proposta abaixo...... estive a ler a Constituição da RDTL e ela afirma (Artº 105º) que é o Primeiro-Ministro que preside às reuniões do Conselho de Ministros. O que significa que o PR pode ser convidado a participar mas não poderá presidir. And so what?!...A participação permitir-lhe-á fazer passar melhor as suas ideias e debatê-las com o Governo mas ao não presidir fica claro que ele não será responsável pelas medidas efectivamente adoptadas, que serão da exclusiva responsabilidade do Governo. É justo... Cada macaco no seu galho! :-)Manuel Leiria de Almeida in Do Alto do Tatamailau, 28 de Maio de 2006

Timor-Leste: textos importantes

Uma proposta...
... para o futuro: a Constituição da República Portuguesa prevê que o Presidente da República possa, eventualmente, presidir a reuniões do Conselho de Ministros. Isso já aconteceu entre nós.Não sei se isto está previsto na Constituição da RDTL mas se não for "legal" ilegal também não há-de ser... E o que é "a-legal" pode-se fazer... Porque é que Mari Alkatiri não convida o Presidente Xanana para, regularmente --- uma vez por trimestre? -- presidir a reuniões do Conselho de Ministros? Talvez muitos dos "desencontros" entre ambos tivessem sido evitados... Não sei mesmo se não seria bom que isto fosse aplicado não só JÁ como também durante o próximo mês, até a situação estar mais normalizada.Ingenuidade minha? Não!
Manuel Leiria de Almeida in Do Alto do Tatamailau, 28 de Maio de 2006

Timor-Leste: textos importantes

«Acho piada ao que andas dizendo...
Os comentários do primeiro ministro australiano sobre a má governação de Timor, vindos por quem é directamente responsável pela morte de cerca de 200 australianos nos atentados de Bali por ter envolvido o país na guerra do Iraque, são uma piada...E provavelmente refere-se também ao facto de, nas negociações sobre o petróleo do Mar de Timor, Timor Leste não ter conseguido mais do que a "mera" passagem de 50% para 90% das receitas de Bayu-Undan e de 18% para 50% das receitas do Greater Sunrise. Boa governação teria sido deixar tudo como estava no tempo da Indonésia, não é Howard?!...»
Manuel Leiria de Almeida in Do Alto do Tatamailau
26 de Maio de 2006

Timor-Leste: textos importantes

Alexander Downer:
"Se não tivéssemos enviado as tropas para ajudar a controlar a situação, Timor-Leste corria o risco de se tornar num Estado falhado", disse Downer à rádio ABC. "Por isso temos que fazer o necessário - trabalhando com a comunidade internacional e com a ONU - para tentar que Timor-Leste consiga voltar a levantar-se", sublinhou.
in Público
~
Tão amigos que eles são! Fica-se emocionado.

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What is Howard's Role in the Timor Leste Coup?
By Tim Anderson

The violence in Dili is hardly an industrial dispute, nor spontaneous ethnic violence. Timor Leste's Prime Minister, Mari Alkatiri, says the armed attacks are part of an attempted coup, and follow a history of destabilisation attempts. It is likely he knows better than the Australian pundits, who have been speaking simply of 'east west' rivalry, and an 'immature' nation, unready for independence.
Such caricatures of the country and the government are misleading and dangerous. There has been destabilisation of the legitimate Fretilin government, ever since independence, and the Howard government has played a part. An important question now is: how much of a part?
A fairly high level of organisation, and confidence, can be seen both in the mobilisation of weapons and the international appeals from thearmy defectors. Heavy weapons were taken, and renegade leader Alfredo Reinado (who joined Gastao Salsinha, leader of the sacked soldiers)says he welcomes the arrival Australian troops, and wants to 'have aVB' with the aussies.
Such familiarity from a person engaged in murder and mutiny is disturbing. And instead of calling Reinado and his followers 'criminals' or 'terrorists', John Howard has turned on the Alkatiri Government. As the troops roll in Howard says "The country has not been well governed .. the real challenge is to get a government that has the confidence of the local people".
Coup plotters rarely act without assurances of outside support, or at the least post-coup recognition. A US guarantee of regime recognition was central to the Chilean coup of 1973, and the abortive 2002 coup in Venezuela. More recently in Haiti, even though the US had no credible alternative candidate, they fomented violence to remove a popular leftist leader.
Media backing is essential for a coup. Paul Kelly from The Australian (which has waged a long campaign against the Fretilin government) questions whether the democratically elected PM of the country "has a long-term role here as part of the solution". Some diplomats are reported as saying that the resignation of Alkatiri "may convince the warring gangs to lay down their arms".
On this argument, PM Alkatiri only "survived" the recent Fretilin elections, where he faced a possible challenge from a Washington-based diplomat. In fact, Alkatiri won more than 90%support in the party vote, and Fretilin retains almost 60% support across the country.
While the internal rivalry between Prime Minister Alkatiri and President Xanana Gusmao has received a lot of attention, less has been said about international tensions and destabilisation, which has followed several disputes. The dispute over oil and gas is well known. Mari Alkatiri had the support of all parties in driving a hard line with the Howard government. Many believe the Timorese were still robbed by a deal Howard continues to call 'generous'. Less well known are the disputes over agriculture, where Australia and the World Bank refused to help rehabilitate and build the Timorese rice industry, and refused to support use of aid money for grain silos. Under Alkatiri, the Timorese have reduced their rice import-dependence from two-thirds to one-third of domestic consumption.
After independence an expensive phone service run by Telstra was replaced by a government joint venture with a Portuguese company. And following a popular campaign, Timor Leste remains one of the few 'debt free' poor countries. Alkatiri's consideration here, as economic manager, was to retain some control over the country's budget, and the building of public institutions.
In 2005 there was a Church led dispute over the apparent relegation of religious education to 'voluntary' status in schools. The dispute was resolved, but not before it had become the focus of an open campaign to remove Alkatiri, who was branded a 'communist'. During this dispute some East Timorese were alarmed to see that the USEmbassy (and possibly also the Australians) providing material support (such as portable toilets) to the demonstrators, effectively backing an opposition movement.
Over 2004-06 the Alkatiri government secured the services dozens of Cuban doctors, and several hundred young Timorese students are now in Cuba, studying medicine free of charge. No one criticises this valuable assistance, but the US does all it can to undermine Cuban policy.It is worth remembering that the suggested 'communist' politics of Fretilin in 1975 was a major reason for US support for the Indonesian invasion and occupation. Australia followed suit. Today the 'communist' tag is again used by Reinado to target the Fretilin government.
Reinado rejects government orders, but has allied himself to Xanana and Jose Ramos Horta, the two non-Fretilin members of the government. (Ramos Horta is known to be close to the Bush administration.) It is not clear yet to what extent Xanana and Ramos Horta have links to Reinado. Alkatiri has not, contrary to media reports, accused the President of complicity. Yet the coup attempt proceeds in Xanana's name.
The current situation is complicated by the arming of civilian groups on both sides of the coup plot, and the fact that troops from several countries have been invited. Of these, the Portuguese seem to maintain strongest support for the Timorese government, while the Australians seem to be apologising for the plotters.
A possible 'junta' to be installed by Australian intervention (already hinted at by Kirsty Sword Gusmao) could include nominees of the Catholic bishops, Ramos Horta and an ailing Xanana (ill with kidney disease). The forced removal of Mari Alkatiri, his ministers and army chief Taur Matan Ruak, and the presence of occupying troops till next year's election might seriously undermine Fretilin's dominant position. But then again, the coup might fail.
Occupying armies are bad news for democracy. The Australian government comes to its most recent intervention in Timor Leste literally 'blooded' from its spectacularly unsuccessful interventions in Afghanistan, Iraq and the Solomons.
The current intervention may be necessary, if it has been legitimately called for by the East Timorese government; but it is also a great danger for the country's democracy. Australian people, who strongly supported independence for the people of Timor Leste, should watch Howard's latest intervention very closely.
Tim Anderson is an academic who has visited Timor Leste severaltimes, both before and after independence.
--
Dr. Bob Boughton
Senior Lecturer Adult Education & Training
School of Professional Development and Leadership
University of New England
Armidale NSW 2351, Australia via Timor Online

28.5.06

Timor-Leste: textos importantes

Timor-Leste: Representante de Kofi Annan diz que são necessárias mais forças paz
Díli, 28 Mai (Lusa) - O representante especial do secretário- geral das Nações Unidas em Timor-Leste, Sukehiro Hasegawa, disse hoje que são necessárias mais forças de paz para conter a onda de violência na capital timorense.
As declarações surgem num dia em que grupos armados circulam pela capital timorense, queimando casas e escritórios. Segundo relatos da Associated Press também são audíveis armas de fogo.
Uma fonte governamental disse hoje à Lusa que há confrontos em pelo menos três bairros de Díli, Surik Mas, Bairro Pité e Becora, com casas incendiadas e ataques a civis.
"Estão a incendiar casas e a perseguir pessoas em Becora, em frente à cadeia de Becora", disse a fonte.
A fonte afirmou que as tropas australianas no terreno "estão a desiludir", afirmando que os militares "não actuam" limitando-se a "ver" o que está a ocorrer.
FP/ASP. Lusa/fim

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Timor-Leste: Confrontos em três bairros de Díli, casas incendiadas - governo
Díli, 28 Mai (Lusa) - Confrontos eclodiram hoje de manhã em pelo menos três bairros de Díli, Surik Mas, Bairro Pité e Becora, com casas incendiadas e relatos de ataques a civis, informou à Lusa fonte do gabinete do primeiro-ministro de Timor-Leste.
"Estão a incendiar casas e a perseguir pessoas em Becora, em frente à cadeia de Becora", disse a fonte.
A fonte afirmou que as tropas australianas no terreno "estão a desiludir", afirmando que os militares "não actuam" limitando-se a "ver" o que está a ocorrer. "A situação piorou desde que os australianos entraram. Eles assistem, vêem o que se passa e não actuam. Os helicópteros sobrevoam as zonas onde há confrontos mas depois não actuam", afirmou.
"Isto é uma desilusão esperávamos mais dos australianos. Eles parecem estar só a assistir. As pessoas são perseguidas e atacadas mesmo à sua frente e os australianos não fazem nada", disse.
A mesma fonte referiu que há relatos de confrontos, durante a noite na zona de Cacaulidun, também nos arredores de Díli, com notícias de vítimas mortais, dados que, explicou, ainda estão a ser confirmados.
ASP. Lusa/Fim

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Timor-Leste: Líderes timorenses, ONU, Camberra criticados na imprensa Austrália

Lisboa, 28 Mai (Lusa) - A actual crise que se vive em Timor-Leste é um resultado directo de "falhas espectaculares múltiplas" da liderança timorense, das Nações Unidas e da Austrália, de acordo com o editorial do jornal australiano Sunday Age.
O jornal refere um relatório de 2002 do Australian Strategic Policy Institute, que já antecipava, na altura, problemas nas forças de defesa e segurança de Timor-Leste que "podem desenvolver-se de formas indesejáveis".
É no entanto à liderança política e militar timorense que o Sunday Age atribui a "principal responsabilidade" pela actual crise, considerando que não souberam responder adequadamente à situação criada pelos soldados peticionários que foram, posteriormente, demitidos das F-FDTL, e por não terem "nem vontade nem capacidade para definir um papel para o seu exército".
Enumerando vários líderes timorenses, o jornal considera que perante o desenvolvimento da crise, o Presidente da República, Xanana Gusmão, "pareceu tímido e desligado, emocional e fisicamente imobilizado na sua residência nas montanhas frescas sobre o Díli quente".
Sobre Mari Alkatiri, o jornal considera que tem sido "provocador e inflexível, indiferente às queixas dos soldados e cego à crise de segurança criada pelas deserções", considerando que o ministro da Defesa, Roque Rodrigues, foi "fatalmente incompetente, ignorando conselhos que poderiam ter prevenido o desastre".
Relativamente ao ministro do Interior, Rogério Lobato, o jornal refere que se mostrou "empenhado na intriga, explorando a deslealdade e os protestos enquanto procurava moldar a polícia nacional como um feudo pessoal".
O Sunday Age critica ainda Ramos-Horta notando que o chefe da diplomacia timorense "falhou em avaliar a amplitude da crise", e recordando que há duas semanas o próprio rejeitou a necessidade de apoio militar ou policial internacional. No que toca à ONU, o jornal refere que a crise representa "o colapso da sua montra de sucesso na criação de uma nação", em particular pelos compromissos falhados com que criou o exército timorense.
ASP. Lusa/Fim

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Antigo, mas que ganha relevância no actual contexto:
Timor-Leste: Governo "desconsidera" população, diz Bispo de Baucau
Díli, 15 Mai (Lusa) - O Bispo de Baucau, D. Basílio do Nascimento, disse hoje que o governo timorense "desconsidera" a população do país, e que essa é uma das causas do actual momento de tensão em Timor-Leste.
"O povo timorense requer ser tido em consideração, e é isso que tem faltado. As mensagens passam de um lado para o outro e diz-se às pessoas simplesmente que elas têm de obedecer" disse D. Basílio do Nascimento, referindo-se a "toda a actuação do governo timorense." "Mas o governo é apenas a ponta do iceberg, é o reflexo de uma mentalidade que perpassa a sociedade timorense, de tentar fazer mudanças muito depressa, sem explicações e sem ter em conta a vontade do povo," adiantou.
Contactado pela Agência Lusa em Baucau, no leste de Timor-Leste, D. Basílio do Nascimento apontou a "falta de consideração para com o povo" como uma das causas do actual momento de tensão em Timor-Leste.
A capital timorense foi, nos finais de Abril, palco de distúrbios e confrontos, no seguimento de manifestações protagonizadas por militares contestatários, entretanto demitidos, que alegam discriminação por parte da hierarquia das forças armadas.
Nos confrontos, a polícia e as forças armadas dispararam sobre manifestantes, tendo-se registado, segundo dados oficiais, cinco mortos.
Nos primeiros dias a seguir aos distúrbios, segundo as Nações Unidas, cerca de 70 por cento da população de Díli fugiu para localidades nas montanhas, estando ainda deslocadas, pelos mais recentes cálculos, 35 mil pessoas.
"O que eu me interrogo é como é que um problema institucional, militar, restrito, foi empolado até ser um problema nacional," afirmou o Bispo de Baucau que, com o Bispo de Díli, lidera a comunidade e a hierarquia católicas de Timor-Leste, país de esmagadora maioria católica. D. Basílio do Nascimento disse ainda que o mesmo empolamento está a verificar-se em Timor-Leste quanto ao congresso da Fretilin, que decorre nos dias 17, 18 e 19 de Maio, quando os delegados vão escolher a liderança que vai conduzir o partido no poder nas próximas eleições legislativas de 2007.
"Um congresso só diz respeito ao partido que o realiza. Porque é que uma questão interna da vida de um partido é de repente uma questão vital para a vida da nação, mesmo que se trate do partido no poder?" perguntou D. Basílio, que apelou à "frieza para equacionar as situações e distinguir o que é institucional e nível nacional." Muitos dos deslocados de Díli recusam-se regressar à capital até ao final do congresso da Fretilin, e diversos residentes timorenses da capital disseram à Agência Lusa que só depois de um final do congresso sem consequências nem distúrbios é que acreditam que a situação está totalmente normalizada. RBV/GCS. Lusa/Fim

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"Para Ana Pessoa é vital que pessoas que se candidatam para cargos nas três estruturas de segurança, "tenham um perfil psicológico certo, umaformação e um conhecimento diferenciado e mais cimentado do que aquelesque pedem emprego nos serviços de saúde ou na função pública"."
Aqui está uma grande verdade. Pena é que só agora o governo se aperceba disto. É que o pistoleiro Reinado saiu de Timor poucos anos depois da invasão indonésia, para ir trabalhar... na Indonésia. Depois viveu e trabalhou vários anos na Austrália, onde recebeu treino militar, depois do referendo, com a finalidade de integrar as futuras FDTL. Isso veio a acontecer, mas estranhamente, um sujeito sem experiência militar prévia foi imediatamente graduado em Major e nomeado comandante da força naval do exército!!! O problema começou quando ele, certamente pela falta de capacidade demonstrada, foi transferido para o comando da Polícia Militar, em Dili. Como perdeu protagonismo, arranjou maneira de o recuperar, aparecendo agora na internet e em todos os telejornais. Mas todos sabemos a que preço.
Quanto ao Sr. Salsinha, que agora tem andado muito calado, frequentava um curso de capitães do exército, para ascender a este posto, quando foi surpreendido num negócio de contrabando de sândalo. Isso teve como consequência o seu afastamento do curso e então o senhor veio agora queixar-se que há discriminação nas FDTL e que os "loromonu" (ele é de Ermera) não conseguem ser promovidos...
É este o perfil psicológico dos dois indivíduos que desencadearam toda esta tragédia e que, cegos pela sua sede de poder e protagonismo frustrado, não se preocupam com o sofrimento que estão a causar e com as muitas vidas já perdidas. Em suma, estão-se lixando para o seu País e o seu povo.
É este o perfil psicológico de indivíduos que deviam, se necessário com sacrifício da sua própria vida, defender esse mesmo povo que estão matando lentamente. E defender também as instituições do Estado, os seus órgãos de soberania. Mas, para limpar a consciência, empurram a culpa para cima dos governantes, que com mais ou menos erros (qual é o governo que não erra?) têm a legitimidade da Constituição e do mandato popular, expresso em votos nas eleições. Quem quiser apresentar alternativas, que avance. Mas, infelizmente, vimos agora no congresso da Fretilin quais são essas alternativas... nenhumas. E iremos ver as mesmas alternativas nas eleições de 2007. Muita parra e pouca uva.
Esperemos que o governo tenha aprendido a lição e, doravante, os membros das FDTL sejam escolhidos com mais cuidado. Há tanta gente boa e honesta em Timor, caramba!
H. (via Crocodilo Voador)

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EAST TIMOR STUDIES MAILING LIST (via Crocodilo Voador, Rosely Forganes)
Andrew.Mcwilliam@anu.edu.au
Dear AllS
ome notes and comments on the elusive question of firaku and kaladi divisions that have come to prominence in the latest turmoil in Timor Leste and which provide a part response to Bob Boughton’s enquiry.A good source of information available on the subject of Firaku / Kaladi rivalries is Dionisio Babo Soares’ Phd thesis 2003. Dionisio is currently the co-chair of the Truth and Reconciliation Commission established with Indonesia. His thesis is entitled ‘Branching from the Trunk: East Timorese Perceptions of Nationalism in Transition (ANU), and he devotes a whole chapter to the question of Firaku / Kaladi.Drawing on his chapter some summary points include the following
• The distinction is one that purports to highlight a division between easterners (lorosae ­‘ sunrise’) [firaku], and westerners (loromunu ­‘ sunset’) [Kaladi] within East Timor. The origins of the terms are obscure but people make a popular distinction between ‘talkative and excitable firaku, and taciturn, closed kaladi. The distinction arises from Portuguese colonial times.
• Folk etymologies for the term firaku include the idea that the word comes from Portuguese vira o cu (to turn one’s backside to the speaker) implying the rebellious independent nature of ‘easterners’. This has been subsequently modified to its present form. Alternatively another common idea is that the term comes from the Macassae language of Baucau ­ Fi (we, us) raku (relatives, family) - often glossed as friend. Similarly Caladi may be derived from Portuguese calado (quiet, reserved) or Keladi (Malay for Taro) grown by Mambai, Kemak and Bunak communities in the central western highlands.
• The division is conventionally associated with the following districts ­ firaku Lautem, Baucau, Viqueque and Manatuto: while Kaladi are linked to Dili, Ailieu, Ainaro, Same, Ermera, Bobonaro, Suai, Likisa and OeCussi.
• While the origins of the rivalry between the two groups are obscure ­ and indeed there is no history of any former pattern of indigenous political division along these lines, Dionisio Babo Soares makes the significant point that that the source of conflict may have emerged after the Second World War when Macassae people from Baucau (easterners) and Bunak people from the western highlands settled in Dili and began trading in a local market. Over time commercial rivalries arose around this distinction which continued and evolved over the decades into a kind of default cultural division that is now being evoked in the current struggles.
• During the UNTAET period there were frequent brawls and conflicts between rival ethno-linguistic groups in Dili based around the firaku / kaladi division. Reprisals and periodic street fighting occurred between Mambai and Bunak youth gangs against similar Macassae (esp. Laga), Viqueque and Los Palos residents. As people moved into Dili following 1999 and took up residence, the firaku / kaladi distinction became associated with different areas of the city. So ­ Delta Comoro where many groups from the east settled was known as a firaku area, along with Quintal Boot in Central Dili. Bairo Pte and Bebonuk in the west of Dili were linked to Kaladi. Other areas had mixed populations and conflicts sometimes coalesced around this distinction (e.g Becora).
• A key contemporary source of conflict between the two groupings is the perceived role of the different groups during the resistance struggle against Indonesia. Firaku groups have antagonised the kaladi with their claims to have ‘won the war’ through their sustained armed resistance in the east ­ Lautem for example, retained an armed presence in the forests right up until September 1999. From this perspective the kaladi are seen to have folded in the face of Indonesian army control, and they are also charged with being more responsible for the rise of the army backed militia’s that terrorized the population in the lead up and subsequent to the 1999 ballot. The worst militia’s and the principal leadership were associated with Aitarak (Dili), Besi Merah Putih (Likisa), Laksaur (Suai) and Mahidi (Ainaro). Militia groups also operated in the east but caused much less damage. Kaladi, naturally reject this view but it serves as a point of antagonism and competing claims over relative sacrifice and suffering for independence
• The current crisis has been attributed to a sharpening of these differences within the defence forces, with some 500 soldiers abandoning their post in March and complaining of discrimination by higher ranking firaku leadership of the FDTL. However there is also a view that this distinction serves primarily as an excuse for expressing disaffection and frustration at the lack of economic benefits and opportunities flowing from Independence and the current political order. The involvement of angry unemployed youth in Dili and their rampaging is more likely to stem from their marginalisation in the economic and political process than any historical allegiance to geographical differences.
• While firaku and kaladi alliances may also have been utilized in the recent murderous confrontation between the army and the police there is also a view that the key distinction is one between older loyalists to the government and disaffected younger factions seeking a change of the guard with the possibility that murkier political manoeuvring may be involved.
• In summary the firaku and kaladi distinction is one that is widely recognized in Timor Leste and provides a potent source of factional or community rivalry around by all manner of grievances can be added and expressed.
Regards
Andrew

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As East Timor burns
By Loro Horta in Asia Times
As Australian, Portuguese and Malaysian commandos land in East Timor to quell the island nation's spiraling violence, questions loom large about the actual motivation behind the military and police mutiny that led to the unrest and how best to salvage the country's tumultuous experiment with independence.

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Ressentimento, Cultura e Poder em Timor-Leste: os catalizadores da crise.
Kelly Cristiane da Silva e Daniel Schroeter Simião
Timor-Leste passa, desde o último mês, pela maior crise política desde a restauração de sua independência, em maio de 2002. Polícia e Forças Armadas locais estão em conflito aberto. Civis armados tomam as ruas de Dili, atirando a queima-roupa e incendiando casas. Desesperada, a população pede abrigo em igrejas ou busca segurança em suas sagradas montanhas. Xanana Gusmão, Presidente da República, e Mari Alkatiri, Primeiro-Ministro, disputam autoridade de comando sobre as frágeis forças de defesa do país.
No sábado pela manhã as Nações Unidas decretaram estado de emergência 3, evacuando seus quadros para Austrália, como em 1999. Ao mesmo tempo, forças de segurança internacionais, disponibilizadas pela Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal chegam ao país.
O que de longe parece o caos, visto de perto apresenta uma lógica própria, construída em razão dos acontecimentos políticos dos últimos cinco anos que foram, aos poucos, consolidando tensões estruturais entre diferentes grupos da elite local. Para entender a explosão de violência das últimas semanas, precisamos entender as fontes daquelas tensões, algumas delas históricas, outras constituídas como consequência da ocupação indonésia e do modo como o processo de edificação do Estado-nação vem sendo conduzido pela ONU.
A explicação mais recente para o estopim desta crise - um conflito entre quadros das Forças Armadas que teriam desobedecido o comando geral - coloca o problema como um confronto étnico entre grupos do leste (Firaku) e do oeste (Kaladi). Diz-se que os primeiros, tendo desempenhado papel mais ativo na guerrilha de resistência à ocupação indonésia (1975-1999), teriam concentrando em suas mãos as posições de alta patente no recém-formado exército timorense. Os segundos, sentindo-se discriminados, protestaram, o que teria levado o comando das Forças Armadas a expulsar, por deserção, um grande contingente de militares de dita origem Kaladi. De aí para a frente, os protestos intensificaram-se, ganharam as ruas de Dili e aos poucos foram tomando proporções incontroláveis.
O problema entre Firaku e Kaladi, contudo, parece-nos ser apenas o idioma no qual se expressa, no caso das forças de defesa, uma crise de reconhecimento mais profunda e que perpassa muitas outras dimensões da sociedade timorense. O caso ocorrido nas Forças Armadas catalizou um conflito que já existia de forma latente - e é digno de nota que tenha sido escolhido o idioma étnico para a manifestação pública destas disputas.
O conflito atual deve ser compreendido em um contexto de longa duração. No ano passado, durante dezenove dias, timorenses de diversos distritos foram às ruas de Dili para protestar contra a decisão do executivo de retirar o ensino religioso do currículo obrigatórios das escolas públicas. Naquele caso, o grupo formado em torno do Primeiro-Ministro - chamado por muitos, pejorativamente, de "máfia de Moçambique", por ter permanecido boa parte do período de ocupação indonésia fora do país - defendia claramente um projeto laicizante do Estado, opondo-se a grupos que permaneceram no país durante a ocupação e que mantinham fortes vínculos com a Igreja Católica.
Podia-se ver, naquele caso, uma forte dose de ressentimento dos que haviam permanecido no país em relação aos que, voltando agora, assumiam o Poder Executivo e desconsideravam os valores caros à população local. Os protestos quase levaram à queda do governo, tendo sido fundamental a mediação da presidente Xanana Gusmão, atuando como autoridade tradicional na elaboração de um acordo entre Igreja e Executivo.
No início de 2005 outra crise já havia mexido com estes ressentimentos, desta vez em relação ao sistema de justiça. O presidente do Tribunal de Recurso (instância máxima do judiciário local), um retornado da diáspora timorense em Portugal, convenceu-se de que os juízes timorenses, em geral jovens formados em direito em universidades indonésias, não dominavam adequadamente as regras de interpretação da lei. Aplicando uma prova, reprovou a todos, destituindo-os da função. A crise contribuiu para opor grupos de retornados da diáspora em posições de poder a grupos da elite local que haviam permanecido no então Timor Timur , a 27ª província da Indonésia nos 24 anos de ocupação do território.
Se voltarmos ainda mais no tempo, lembraremos que a escolha da língua portuguesa com idioma oficial, durante a Assembleia Constituinte em 2001, foi uma decisão fortemente criticada pela geração mais nova, educada em indonésio no período de ocupação.
Este conjunto de pequenos conflitos entre diferentes setores das elites locais parece não ter tido espaço adequado de resolução nos últimos anos, e acaba voltando à tona com a crise de hoje. A forma de gerir a construção do Estado promovida pelo Sistema ONU e suas missões em Timor-Leste parece não ter dado lugar para grupos com menor poder, desconsiderando-os na definição de políticas e na formação de sistemas e instituições estatais.
Mais especificamente no caso atual, a gestão do processo de formação do Estado parece evidenciar uma grande inabilidade em incorporar a frente de resistência armada no processo de construção do Estado. Neste sentido, os surtos de violência coletiva podem ser vistos, como muitos dos surtos recorrentes em outras países do Sudeste Asiático, como um ritual político de afirmação da existência de projetos alternativos para a construção nacional - rituais de grupos em busca de reconhecimento social e político. São também o momento de visibilização de tensões que não encontram outros canais para ser equacionadas.
Uma análise mais detalhada do aparente caos pelo qual passa Timor-Leste revela, assim, novas modalidades de diferenciação social entre as elites timorenses, instituídas como conseqüência da ocupação indonésia e dos eventos que a sucederam. Cada uma delas se sobrepõe e dialoga com os mecanismos de hierarquização social "tradicional" dos diferentes povos timorenses, bem como com os sistemas de marcação social existentes nas distintas fases do empreendimento colonial português.
A dinâmica entre esses atores e a maneira como atribuem sentido à sua experiência parecem estar fortemente ligadas a três fatores fundamentais: a) às posições assumidas nas diferentes frentes da resistência à ocupação indonésia (frentes armada, diplomática e clandestina); b) à maneira como foram ou não incorporados ao Estado colonial português e ao Estado indonésio; e, c) no caso dos retornados, ao país de acolhida no período do exílio (Austrália, Portugal, Moçambique, entre outros).
Não se trata de dizer que a crise atual seja de responsabilidade exclusiva da ONU ou do governo timorense. Mas não podemos deixar de notar que as Nações Unidas, por meio de suas missões, potencializaram um grupo das elites locais em detrimento de outros. E, neste caso, a tecnologia de gestão de conflitos do Ocidente não dá conta de regular tensões culturais que se manifestam através de vínculos étnicos, por exemplo. A estabilidade produzida por este sistema é apenas aparente; uma verdadeira ficção de paz.
Kelly Cristiane da Silva, doutora em antropologia social. Professora da Universidade de Brasília (UnB), autora da tese: "Paradoxos da Auto-determinação: a construção do Estado-Nação e as práticas da ONU em Timor-Leste".
Daniel Schroeter Simião, doutor em antropologia social. Professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estudou os processos locais de resolução de conflitos em Timor-Leste, autor da tese: "As Donas da Palavra: gênero, justiça e a invenção da violência doméstica em Timor-Leste".