28.5.06

Timor-Leste: textos importantes

"Para Ana Pessoa é vital que pessoas que se candidatam para cargos nas três estruturas de segurança, "tenham um perfil psicológico certo, umaformação e um conhecimento diferenciado e mais cimentado do que aquelesque pedem emprego nos serviços de saúde ou na função pública"."
Aqui está uma grande verdade. Pena é que só agora o governo se aperceba disto. É que o pistoleiro Reinado saiu de Timor poucos anos depois da invasão indonésia, para ir trabalhar... na Indonésia. Depois viveu e trabalhou vários anos na Austrália, onde recebeu treino militar, depois do referendo, com a finalidade de integrar as futuras FDTL. Isso veio a acontecer, mas estranhamente, um sujeito sem experiência militar prévia foi imediatamente graduado em Major e nomeado comandante da força naval do exército!!! O problema começou quando ele, certamente pela falta de capacidade demonstrada, foi transferido para o comando da Polícia Militar, em Dili. Como perdeu protagonismo, arranjou maneira de o recuperar, aparecendo agora na internet e em todos os telejornais. Mas todos sabemos a que preço.
Quanto ao Sr. Salsinha, que agora tem andado muito calado, frequentava um curso de capitães do exército, para ascender a este posto, quando foi surpreendido num negócio de contrabando de sândalo. Isso teve como consequência o seu afastamento do curso e então o senhor veio agora queixar-se que há discriminação nas FDTL e que os "loromonu" (ele é de Ermera) não conseguem ser promovidos...
É este o perfil psicológico dos dois indivíduos que desencadearam toda esta tragédia e que, cegos pela sua sede de poder e protagonismo frustrado, não se preocupam com o sofrimento que estão a causar e com as muitas vidas já perdidas. Em suma, estão-se lixando para o seu País e o seu povo.
É este o perfil psicológico de indivíduos que deviam, se necessário com sacrifício da sua própria vida, defender esse mesmo povo que estão matando lentamente. E defender também as instituições do Estado, os seus órgãos de soberania. Mas, para limpar a consciência, empurram a culpa para cima dos governantes, que com mais ou menos erros (qual é o governo que não erra?) têm a legitimidade da Constituição e do mandato popular, expresso em votos nas eleições. Quem quiser apresentar alternativas, que avance. Mas, infelizmente, vimos agora no congresso da Fretilin quais são essas alternativas... nenhumas. E iremos ver as mesmas alternativas nas eleições de 2007. Muita parra e pouca uva.
Esperemos que o governo tenha aprendido a lição e, doravante, os membros das FDTL sejam escolhidos com mais cuidado. Há tanta gente boa e honesta em Timor, caramba!
H. (via Crocodilo Voador)