28.5.06

Timor-Leste: textos importantes

Antigo, mas que ganha relevância no actual contexto:
Timor-Leste: Governo "desconsidera" população, diz Bispo de Baucau
Díli, 15 Mai (Lusa) - O Bispo de Baucau, D. Basílio do Nascimento, disse hoje que o governo timorense "desconsidera" a população do país, e que essa é uma das causas do actual momento de tensão em Timor-Leste.
"O povo timorense requer ser tido em consideração, e é isso que tem faltado. As mensagens passam de um lado para o outro e diz-se às pessoas simplesmente que elas têm de obedecer" disse D. Basílio do Nascimento, referindo-se a "toda a actuação do governo timorense." "Mas o governo é apenas a ponta do iceberg, é o reflexo de uma mentalidade que perpassa a sociedade timorense, de tentar fazer mudanças muito depressa, sem explicações e sem ter em conta a vontade do povo," adiantou.
Contactado pela Agência Lusa em Baucau, no leste de Timor-Leste, D. Basílio do Nascimento apontou a "falta de consideração para com o povo" como uma das causas do actual momento de tensão em Timor-Leste.
A capital timorense foi, nos finais de Abril, palco de distúrbios e confrontos, no seguimento de manifestações protagonizadas por militares contestatários, entretanto demitidos, que alegam discriminação por parte da hierarquia das forças armadas.
Nos confrontos, a polícia e as forças armadas dispararam sobre manifestantes, tendo-se registado, segundo dados oficiais, cinco mortos.
Nos primeiros dias a seguir aos distúrbios, segundo as Nações Unidas, cerca de 70 por cento da população de Díli fugiu para localidades nas montanhas, estando ainda deslocadas, pelos mais recentes cálculos, 35 mil pessoas.
"O que eu me interrogo é como é que um problema institucional, militar, restrito, foi empolado até ser um problema nacional," afirmou o Bispo de Baucau que, com o Bispo de Díli, lidera a comunidade e a hierarquia católicas de Timor-Leste, país de esmagadora maioria católica. D. Basílio do Nascimento disse ainda que o mesmo empolamento está a verificar-se em Timor-Leste quanto ao congresso da Fretilin, que decorre nos dias 17, 18 e 19 de Maio, quando os delegados vão escolher a liderança que vai conduzir o partido no poder nas próximas eleições legislativas de 2007.
"Um congresso só diz respeito ao partido que o realiza. Porque é que uma questão interna da vida de um partido é de repente uma questão vital para a vida da nação, mesmo que se trate do partido no poder?" perguntou D. Basílio, que apelou à "frieza para equacionar as situações e distinguir o que é institucional e nível nacional." Muitos dos deslocados de Díli recusam-se regressar à capital até ao final do congresso da Fretilin, e diversos residentes timorenses da capital disseram à Agência Lusa que só depois de um final do congresso sem consequências nem distúrbios é que acreditam que a situação está totalmente normalizada. RBV/GCS. Lusa/Fim