25.6.06

Francisco José Viegas

PRÉMIO DE ROMANCE E NOVELA
ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ESCRITORES
Discurso
Gostaria de agradecer este prémio ao júri que mo concedeu, à Associação Portuguesa de Escritores, que o organiza anualmente, e, claro, às entidades que colaboraram com a APE e o tornam possível.Já referi antes que nunca pensei recebê-lo e que foi uma surpresa a sua atribuição. Estas palavras podem confundir-se com pura imodéstia disfarçada de desprendimento, mas quem me conhece sabe que são verdadeiras e que a surpresa também o foi. Por isso, a alegria em estar aqui é maior e até mais profunda. As minhas palavras nesta circunstância apenas podem ser de gratidão e de um certo enlevo – e de vaidade, naturalmente, porque somos humanos e devemos viver, ainda que com intensidades diferentes, cada distinção e cada desaire. Distinções e desaires compõem a vida de todos – se bem que, no caso de quem escreve, o desaire deva ser entendido como um livro que não resultou e uma distinção deva ser vista como o reconhecimento pelo trabalho realizado.
Estas designações são sempre subjectivas. Cada um sabe e conhece os caminhos do seu trabalho. Cada um conhece as penumbras e as ilusões que o guiam. Cada um, cada autor, conhece o seu próprio caminho melhor do que ninguém e, por mais que tentemos escrever ou falar sobre o método, as alegrias e as dificuldades do nosso trabalho, há sempre aspectos que não conseguimos traduzir ou descrever. Podemos falar deles, claro, e falar deles com absoluta sinceridade – mas, com alguma probabilidade, não acreditariam inteiramente.
Eu escrevo histórias. De alguma maneira, imagino histórias que me comovem e que gostaria que comovessem os meus leitores. Se há alguma definição, em teoria da literatura, para o género de romance que eu gosto de escrever, acredito que seria essa. E que a frase decisiva seria essa também: “Eu escrevo histórias.” Acho que escrevo histórias porque gosto de ler as histórias dos livros dos autores que aprendi a amar desde a infância e a adolescência. Algumas delas duram mais na memória e, também aí, os factores que levam uma história a permanecer na nossa memória são também subjectivos. Podemos tentar explicá-los, mas há sempre qualquer coisa que sobrevive numa leitura – e que não conseguimos descrever. Por isso, uma das palavras de que mais gosto é “poeira”. A poeira das estradas no meio da floresta. A poeira dos caminhos. A poeira do deserto. A poeira do céu, aquela nuvem que atravessa a geografia de todos os lugares onde estivemos. A poeira, enfim.
Eu escrevo histórias, portanto, e gosto da palavra “poeira”. Tal como gosto da palavra “perturbação”. Da palavra “paisagem”, da palavra “lugar”.Talvez por isso, por eu gostar de escrever histórias que algum dia me comoveram, não posso falar em nome dos outros nem acho que o trabalho do escritor, seja ele contador de histórias ou não, deva ser realizado em nome de outra coisa senão da alegria de escrever e, por interpostas pessoas, da alegria de ler.Escrevo histórias porque não acredito num mundo sem história, sem memória e sem perturbação. A história e a memória mostram-nos que vivemos com os outros e que são os outros que justificam todas as narrativas; sem os outros não teríamos ninguém para contar histórias, não teríamos ninguém para ouvir as nossas histórias, ou seja, não teríamos com quem viver. A perturbação, por seu lado, ensina-nos que a pequena verdade de cada um, a pequena verdade dos outros, pode pôr em causa a nossa verdade absoluta, aquela em que acreditamos.
No meu caso, os outros, além dos meus leitores, dos meus filhos, dos meus pais, dos meus amigos mais chegados, os outros são os meus personagens. Comecei este breve discurso agradecendo o prémio. Terei de agradecer também aos meus personagens, aos personagens dos meus livros. Sem eles eu não teria conseguido escrever nem contar histórias, nem ter vivido os momentos dessa estranha e no entanto intensa felicidade que é a de ver que, subitamente, esses personagens já não dependem de mim mas da vida inteira, da vida que vem nos livros. Conheço o inspector Jaime Ramos, o detective de “Longe de Manaus”, há algum tempo. Há cerca de quinze anos que ele vive comigo e que eu conto as suas aventuras. De alguma maneira, como vêem, nem as histórias me pertencem, mas sim aos meus personagens. É verdade que o detective Jaime Ramos só existe porque eu o inventei, ou o criei, ou o escrevi. Mas isso acontece porque ele vive, melhor do que eu, esse mundo de perturbação e de poeira onde situo as minhas histórias. Ele é um homem vulgar e céptico. Talvez um pessimista, até. Tem hábitos vulgares. A sua excepcionalidade, o que para mim se revelou excepcional no seu carácter, foi a sua capacidade de permanecer vulgar, céptico, dedicado, tranquilo, apesar da vida inteira, a sua e a dos outros. Agradeço-lhe ter aceite este papel de personagem dos meus livros. Agradeço aos outros personagens que os habitam: ao inspector açoriano Filipe Castanheira, por exemplo, que não entra neste livro, mas que começou a minha série de histórias policiais. A Daniela e a Helena, de “Longe de Manaus”, por quem me apaixonei. Ao brasileiro de Manaus, Osmar Santos, que me proporcionou muitos momentos de riso. Ao detective Isaltino, a quem admiro a sua modéstia tremenda, de homem humilde. Agradeço à namorada de Jaime Ramos, Rosa, que não me importaria de ter conhecido antes de escrever os seus diálogos. E estou grato, evidentemente, aos lugares que aparecem no livro – o Porto, Trás-os-Montes, o Douro, a Guiné, Cabo Verde, Angola e, naturalmente, o Brasil. Se não existissem esses lugares, não teria podido escrever. Graças a eles viajei bastante.
Mas sobre muitas outras coisas, estou grato à língua que usam os nossos escritores – os nossos, os escritores de língua portuguesa. Este livro tem duas ortografias, a portuguesa e a brasileira, mas serve-se de uma única língua, divertida, dramática, pueril, fantástica, sitiada, brincalhona, empertigada, humilde, e dividida por vários continentes onde já não depende de nós, portugueses, mas de todos os que a falam independentemente de nós – e essa é a sua melhor promessa, a nossa melhor herança. É por ela que falam os nossos mestres, de Luís de Camões e Fernão Mendes Pinto a Machado de Assis, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Cesário Verde ou Fernando Pessoa. Eu acho que devemos venerar os mestres e as suas lições, as que atravessam o tempo e sobrevivem às inclinações do mundo, as que vêm de Fernão Lopes a Rubem Fonseca, de Sá de Miranda a Vergílio Ferreira e José Cardoso Pires. Eles são os mestres da nossa língua e a garantia de que ela existe para lá e para além dos dicionários do presente. Se algum dia a escola tiver dúvidas sobre a nossa língua, eles estão aí. Sem eles não poderíamos falar da nossa língua.
Há também um nome que gostaria de referir aqui, o de Miguel Real, autor de “Em Nome da Terra”, um livro notável que foi finalista, comigo, nesta escolha do júri do Prémio APE. Miguel Real é um autor muito raro e de altíssima qualidade, e o seu livro é uma fantástica narrativa sobre uma parte da História de Portugal. Foi das primeiras pessoas a felicitar-me porque ambos sabemos que eu seria também uma das primeiras pessoas, senão a primeira, a felicitá-lo, como já aconteceu de outras vezes.
Não quero terminar a lista de agradecimentos sem mencionar uma pessoa a quem estou ligado por laços muito mais fortes do que a simples relação, digamos, literária. Falo do meu editor Manuel Alberto Valente. Em vários momentos em que o meu pessimismo ultrapassava o do próprio detective Jaime Ramos, o meu editor ensinou-me que vale a pena insistir, persistir, não dormir às vezes, e sobretudo não ceder ao que não devemos ceder. A sua companhia, ao longo destes últimos quinze anos, foi também preciosa e não podia esquecê-lo agora.
Um prémio agradece-se. Ele honra-nos e provavelmente traz-nos alguma responsabilidade acrescida. Agradeço-o, portanto, e sinto-me honrado. A minha única responsabilidade, no entanto, é apenas para com o meu próximo livro, para com a minha próxima história.
[Francisco José Viegas]

16.6.06

Timor-Leste: textos importantes

Parlamento Europeu quer força da ONU em Timor
Civis devem ser desarmados in Expresso

O Parlamento Europeu (PE) defendeu hoje que «o processo de gradual redução da missão das Nações Unidas em Timor-Leste ao longo dos últimos quatro anos tem de ser invertido», e solicita o envio urgente de uma força policial sob os auspícios das Nações Unidas. A iniciativa tem por objectivo ajudar a restaurar a estabilidade do país.
A resolução, adoptada hoje em Estrasburgo, foi aprovada numa votação de braço no ar, apontando também para o envio de uma delegação do Parlamento Europeu a Timor-Leste no próximo Outono, para avaliar a situação política e examinar a adequação dos programas de assistência da União Europeia (UE).
O PE solicita ao Conselho da União Europeia e à Comissão Europeia que instem as autoridades timorenses a «proibir, dissolver e desarmar» todos os grupos paramilitares, gangs e civis armados, e a dar conta das preocupação da UE relativamente à violência policial em todos os encontros oficiais ao mais alto nível que mantenham com o governo de Timor-Leste. Pede, ainda, à UE e à comunidade internacional que «mantenham e aumentem o apoio necessário para consolidar a democracia e a cultura democrática em Timor-Leste», concentrando-se designadamente no fomento
da cultura multipartidária, na edificação das instituições e no
reforço das redes de educação e de saúde.
De acordo com a resolução, o papel desempenhado pela comunidade internacional, e em particular a ONU e o seu Conselho de Segurança, é de «importância vital» para o processo de consolidação da democracia na «jovem nação» de Timor-Leste.
A proposta de resolução teve como co-signatários a deputada
socialista Ana Gomes, pelo Grupo Socialista, e o líder democrata- cristão José Ribeiro e Castro, pelo Partido Popular Europeu.
O documento sublinha a necessidade de, no respeito pela
soberania das autoridades de Timor-Leste, se estabelecerem canais eficazes de comunicação e colaboração entre as forças internacionais presentes no território, com vista à restauração da ordem pública e rápida reposição da normalidade institucional.
Além de apontar a urgência de estender a cobertura por parte dos órgãos de comunicação social a todo o território, a assembleia solicita ainda à comunidade internacional que
aumente «substancialmente» apoio com vista à monitorização efectiva a questão dos direitos humanos em Timor-Leste e que providencie ssistência para o desenvolvimento de grupos locais de direitos umanos, bem como serviços locais para vítimas de abusos.
Dirigindo-se aos timorenses, o Parlamento Europeu insta o
governo e o presidente a tomarem «todos os passos necessários» para pôr fim à violência e restaurar um ambiente estável em total respeito pela Constituição.
Pede também às partes em conflito para se envolverem num
diálogo que inclua todos para discutir as diferenças políticas.
Recorde-se que na passada terça-feira, por ocasião de uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o secretário-geral Kofi Annan admitiu que a ONU reduziu a sua presença em Timor-Leste demasiado rapidamente, e
que «tendo em conta o que aconteceu» é preciso reavaliar a presença no terreno.
Segundo este responsável, a ONU não tenciona enviar forças de paz para Timor-leste nos próximos seis meses, tendo Kofi Annan afirmado que esperava que os países que têm actualmente forças no território, como Portugal, continuem a «ajudar a manter a lei e a ordem até que o Conselho de Segurança tome novas decisões».
Na próxima semana, o Conselho de Segurança reúne-se, novamente para prolongar o actual mandato da missão da ONU em Timor-Leste (UNOTIL), que termina dia 20, uma decisão saudada hoje pelo Parlamento Europeu.
A onda de violência em Timor-Leste já provocou mais de duas dezenas de mortos e cerca de 130 mil deslocados.


19:03 15 Junho 2006

9.6.06

Timor-Leste: textos importantes

By IAN McPHEDRAN, 03jun06
AUSTRALIA will play hardball with the United Nations over any fresh resolution for East Timor and will insist on controlling the military and policing aspects of the mission.It is understood the Government wants virtually no UN interference over security functions in the trouble-plagued country. That means a long and costly military deployment for Australian taxpayers to fund.
The operation is already chalking up a bill of tens of millions of dollars a week, and any long-term commitment in the numbers required to keep a lid on the troubles would come at a huge cost.
Government sources yesterday confirmed Australia would draw a line in the sand on security, but added there was still a "long way to go" in negotiations for a new UN Security Council resolution.
Foreign Affairs Minister Alexander Downer is due to fly into Dili this morning for urgent talks on the crisis.
He will meet President Xanano Gusmao and other senior officials. Mr Downer will be briefed on the military situation by Brigadier Michael Slater and on the political situation by Ambassador Margaret Twoney.
Meanwhile, diplomatic sources have told The Advertiser Prime Minister John Howard will visit Dili "soon" to see the Australian-led mission for himself. "Howard is coming up next week," one source said.
The Prime Minister's office would not comment but it is understood that a visit won't proceed until things have settled down enough so that Mr Howard would not get in the military's way.
Military chief Brigadier Slater yesterday flew to Maubissi, south of Dili, for talks with one of the rebel military leaders, Major Alfredo Reinado. Brigadier Slater said his talks with Reinado had gone very well. "He is co-operating with us fully," he said. Brigadier Slater is meeting all the key factional players and he was confident that all would agree to disarm.
"They want to talk," he said.
Dili was much calmer yesterday with trouble confined to the looting of a few homes and offices and some localised gang clashes.
The resignations of Interior Minister Rogerio Lobato and Defence Minister Rocque Rodriguez had an immediate dampening effect on the level of violence.
The city was virtually free of smoke for the first time in more than a week and people began to trickle back to their homes.
Australian Federal Police forensic investigators continued to probe crime scenes, particularly the remains of a house in which two adults and four children were burned alive.
A major humanitarian operation is in full swing to feed more than 50,000 people living in camps around the capital and in the countryside.
The rumour mill is working overtime and many people are fearful of a major conflict between warring military and police factions now holed up in the hills above the city.
Australian, New Zealand and Malaysian patrols are starting to bite and security will be bolstered by the arrival today of 140 Portuguese GNR police.
Known as the "head kickers", they will not be under military command and will answer directly to the Portuguese Embassy - which might present a few challenges for Brigadier Slater and his police advisers.

Timor-Leste: textos importantes

European Commission and the Government of Timor-Leste sign strategic document on their cooperation for the period 2006-2007
The European Commission and the Government of Timor-Leste have signed today the Country Strategy Paper (CSP) for 2006-2007. Timor-Leste ratified the Cotonou Agreement in December 2005. The CSP foresees an envelope of € 18 million and is accompanied by a National Indicative Programme (NIP) that identifies sustainable rural development and institutional capacity building as the main areas for the EC cooperation in the next two years.
European Commission President José Manuel Durao Barroso said : “This is a strong manifestation of the full support and solidarity of the European Commission with the people and government of Timor Leste, which I expressed in a letter to President Xanana Gusmao last week.”
The European Commissioner for Development and Humanitarian Aid, Louis Michel stated: “The Commission stands ready to continue assisting and accompanying Timor-Leste in its continuing efforts to build a new independent and democratic state, respectful of the Rule of Law and pursuing social and economic development.”
The CSP was signed by Minister of Planning and Finance, Mrs Maria Magdalena Boavida in the presence of Prime Minister Mari Alkatiri and Foreign and Defence Minister, José Ramos Horta.
The Country Strategy Paper bridges the gap between the end of the cooperation under the Asia and Latin America Regulation (to which Timor-Leste was ascribed before the ratification of Cotonou) and the programming of the 10th European Development Fund (EDF), starting in 2008. The amount of € 18 million will be devoted to finance projects to reduce poverty in all sectors and regions of the nation and to promote equitable and sustainable economic growth, improving health, education and well being of the people of Timor-Leste. The second focal sector, institutional capacity building, aims at achieving sustainable national capacity for effective planning, finance management and improved service delivery by the public institutions.
Gender, environment and governance are cross-cutting issues present in all aspects of the Strategy. Involvement of Non-State Actors (NSA) aims at ensuring local ownership and sustainability.
Of the total € 18 million, € 12 million are earmarked for rural development, while € 6 million will be devoted to capacity building, including a Technical Cooperation Facility that is intended to help the local authorities in the implementation of the aid package.
Under the 10th EDF, the European Commission has foreseen an indicative financial allocation of € 63 million for the period 2008-2013. The focal areas of EC support will be identified together with the Government of Timor-Leste in the coming weeks.

Since Timor-Leste is confronted with immediate urgent needs,he EC’s Directorate General for Humanitarian Aid (ECHO) has fielded a mission to the country to assess the situation in coordination with other donors and agencies. This preliminary needs assessment mission is now completed and the Commission is confident that an appropriate response will follow swiftly.

5.6.06

Timor-Leste: textos importantes

Stand up, the real Mr. Alkatiri
Helen Hill
The Australian Government and media have demonised East Timor's PM without knowing all the facts,Ever since the August 2001 elections for the Constituent Assembly in East Timor - when the longest-standing party of resistance, Fretilin, won a convincing 57 per cent of the vote against 14 other parties - I have observed among Australian embassy employees in Dili, and most Australian journalists who write about Timor, a readiness to criticise Mari Alkatiri, East Timor's Prime Minister, on grounds that show they barely know anything about him.The Bulletin and The Australian regularly recommend his overthrow. The week before the Fretilin congress in Dili, the ABC joined them as regular Alkatiri critics. Jim Middleton on the ABC's evening news wondered "what would happen if Alkatiri decides to resist" calls for his resignation, and uncritically put to air claims from a sacked Fretilin central committee member alleging that 80 per cent of the central committee was against the Prime Minister. A week later, after further violent episodes in Dili, we saw Maxine McKew on Lateline trying to put words into the mouths of MPs Malcolm Turnbull and Peter Garrett: "Wouldn't you say there's not much support for Alkatiri?" How could they possibly know, if all they saw were the Australian media?Who is Mari Alkatiri and why does he arouse such hostility from Australian politicians and media presenters? While Alkatiri was being told by Australians he should resign, he was also taking phone calls from the Portuguese and other prime ministers, wishing him well and urging him not to.With Jose Ramos Horta, Alkatiri helped found Fretilin when, back in the early 1970s, it took the form of a clandestine group of young people meeting under the nose of the Portuguese colonialists in front of the building where he now has his office. On the eve of the full-scale Indonesian invasion, Alkatiri, who had already graduated as a surveyor in Angola, was sent with Ramos Horta and Rogerio Lobato to put Timor's case at the United Nations. His exile lasted 24 years, but it was productively used; he studied law and economics at Eduardo Mondlane University in Mozambique, with South African exiles and others struggling for freedom. Mozambique had offered scholarships to any Timorese students who could qualify for admission, and it was this group, who worked in many professions on graduating and gained a great deal of experience in economic development, who now form the backbone of the public service. In Mozambique, Alkatiri learnt a great deal about international organisations and how to avoid falling into some of the traps Mozambique had encountered. His negotiating skills that the Australian Government finds so fearsome were gained during this period.Every year he was with Ramos Horta at the UN General Assembly for the debate on East Timor. In 1998 it was Alkatiri who did most of the thinking that led the multi-party National Council for Timorese Resistance to adopt its "Magna Carta", linking Timor's future policies with the best standards in international practice coming from the UN's conferences on human rights, environment, population, women and social development during the 1990s.Detractors frequently allege that Alkatiri's presence in Mozambique for 24 years means he is some sort of unreconstructed Marxist. In reality, he is an economic nationalist with a strong awareness of environmental issues and woman's issues; he regularly speaks out on violence against women. He has spoken against privatisation of electricity and managed to get a "single desk" pharmaceutical store, despite initial opposition from the World Bank. He hopes a state-owned petroleum company assisted by China, Malaysia and Brazil will enable Timor to benefit more from its own oil and gas in addition to the revenue it will raise from the area shared with Australia. At the Fretilin congress, he announced initiatives for scrapping school fees in primary school and introducing state-funded meals in all schools.There is widespread support in Timor for Alkatiri's decision not to take loans from the World Bank, although it gave Timor a few years of extremely low salaries in the public service. The Cuban doctors invited by Alkatiri to serve in rural areas are also very popular, as is the new medical school they are establishing at the national university.The young intellectuals at the university and the leadership of many Timorese non-government organisations praise Alkatiri's economic knowledge and his ability to defend Timor's interests against the likes of the World Bank and the Australian Government (over the Timor Sea issue), while being disappointed with slow progress on educational reform and development of the co-operative sector.His major errors of judgement include a draconian defamation law, which has drawn the ire of much of Timor's media, and his tardiness in intervening on the sacking of the dissident soldiers, in which he has supported decisions made by army commander Taur Matan Ruak.Another frequent accusation is that Alkatiri is "arrogant", and, while this might be the case, he has increased massively the public consultations held over the last year. Under East Timor's semi-presidential constitution, the president is popularly elected while ministers are appointed by the party with the majority in the Parliament. Alkatiri has sacked some ministers for poor performance, and some of them provided support for his challenger at the Fretilin congress.In a rather bizarre twist, one of Alkatiri's unashamed supporters during this crisis has been the World Bank, whose director wrote last week that "Timor-Leste has achieved much thanks to the country's sensible leadership and sound decision-making which have helped put in place the building blocks for a stable peace and a growing economy".Helen Hill teaches sociology at Victoria University and is author of Stirrings of Nationalism in East Timor: Fretilin 1974-78, Oxford Press.

Timor-Leste: textos importantes

Timor (!)
by Maryann Keady
May 31, 2006
Three years ago, I wrote a piece talking about attempts to oust PrimeMinister Mari Alkatiri in East Timor, then a new strugglingindependent nation. I wrote that I believed the US and Australia weredetermined to oust the Timorese leader, due to his hardline stance onoil and gas, his determination not to take out international loans,and their desire to see Australia friendly President Xanana Gusmaotake power.Three years later, I am unhappy to say that the events I havepredicted are currently taking shape. The patriotic Australia media,that has unquestionably fallen into line over every part of JohnHoward's Pacific agenda - including the Solomon's excursion - is nowtrumpeting the ousting of Alkatiri, a man who has gamely defiedAustralia's claims over it's oil and gas, many of the paper's foreigneditors clearly more in tune with the exhortations of Australia'sDepartment of Foreign Affairs and Trade than the sentiments amongTimorese.I arrived in Dili just as the first riots broke out on April 28 thisyear- and as an eyewitness at the front of the unrest, the very youngsoldiers seemed to have outside help - believed to be localpoliticians and 'outsiders'. Most onlookers cited the ability of thedissident soldiers to go from an unarmed vocal group, to hundredsbrandishing sticks and weapons, as raising locals' suspicions thatthis was not an 'organic' protest. I interviewed many people - fromFretlin insiders, to opposition politicians and local journalists -and not one ruled out the fact that the riots had been hijacked for'other' purposes. The Prime Minister himself stated so. In a speech onthe 7th of May, he called it a coup - and said that 'foreigners andoutsiders' were trying once again to divide the nation. I reportedthis for ABC Radio - and was asked if I had the translation wrong. Ipatiently explained no - we had carefully gone through the speech wordfor word, and anyone with any knowledge of Timorese politics wouldunderstand that is precisely what the Prime Minister meant. No othermedia had bothered to go to the event - the Australian mediapreferring to hang out with the rebel soldiers or Australian diplomatsthat all wanted Alkatiri 'gone'.Since his election, Alkatiri had sidelined the most important figurein Timorese politics - President Xanana Gusmao - and the tensionbetween the two has been readily apparent. Alkatiri, has a differentview to Gusmao about how the country's development should take place -slowly, without 'rich men feasting behind doors' was the way hedescribed it to me, a steady structure of development the way todevelop a truly independent nation. His ability to defend Timor's oiland gas interests against an aggressive Australia and powerfulbusiness interests, and his development of a Petroleum Fund to protectTimor's oil money from future corruption never accorded with thecaricature created by his Australian and American detractors of a'corrupt dictator.'The campaign to oust Alkatiri began at least four years ago - Irecorded the date after an American official started leaking mestories of Alkatiri's corruption while I was freelancing for ABCRadio. I investigated the claims - and came up with nought - but wasmore concerned with the tenor of criticism by American and Australianofficials that clearly suggested that they were wanting to get rid ofthis 'troublesome' Prime Minister. Like Somare, he was not doingthings their way. After interviewing the major political leaders - itwas clear that many would stop at nothing to get rid of Timor's firstPrime Minister. President Xanana Gusmao, three years ago, did notrule out dissolving parliament and forming a 'national unitygovernment'.Gusmao and his supporters (including Jose Ramos-Horta) have privatelycalled Alkatiri an 'Angolan communist' with his idea of slow paceddevelopment not something Gusmao and his Australian supporters agreewith. Other than that, it is hard to work out why President Gusmaowould allow forces to unconstitutionally remove this Prime Minister.In Timor, many see Gusmao at fault here, for disagreeing with thePrime Minister over the sacking of the soldiers (it should have beenresolved in private) while others see him as the architect of thewhole fiasco, his frustration with his limited political role allowinghim to be convinced by his Australian advisors to embark on aneedlessly bloody coup.In the last few days we have heard from young Timorese writerscurrently at the Sydney Writer's Festival. They have a different takefrom the Australian media on what is happening in Timor. Take thisquote by one young writer:'. it is suspicious and questionable. It is difficult to analyse whyAustralia wants to go there. I think it is driven by concerns overAustralia's economic security, including the oil under the sea, ratherthan concern for the people of East Timor. 'I am scared it is lessabout East Timor's security than Australia's security and interests.'Gil Gutteres, the head of Timor's journalists association TILJAsimilarly last month said old style fears of communism, and economicinterests of Australia were driving the anti-Alkatiri campaign, andwere behind the violence. In fact, there is hardly a person in Timorthat doesn't understand that this is about big politics - helped byinternal figures wanting to control the oil and gas pie.And yet the Australian press is full of 'our boys' doing us proud.This does not equate with sentiment on the ground, or answer thequestion as to where the rebel forces could have received support forthis foolhardy campaign that has led to many Timorese beingfrightened, distressed and homeless.Just this evening, witnesses spoke of Australian army personnelstanding by while militia fired on a church in Belide. During theearly violence, not one UN soldier intervened to stop the small bandof rioters, and the recent actions of the Australian troops add fuelto speculation that they are letting Timor burn.Alkatiri, for his part is refusing to step aside, saying that onlyFretlin, his party, can ask him to resign. If he does go, the Timoresehave the Australian media to thank for their unquestioning support ofthis coup. Perhaps they can explain to the starving citizens (thatwere already ignored by Australia for 25 years) why Australia nowcontrols their oil and gas. More importantly, the politicians in Timorthat have been party to the violence will have to explain to thepeople their involvement in this latest chapter of its traumatichistory.Maryann Keady is an Australian radio producer and journalist who hasreported from Dili since 2002. She is currently a professionalassociate at Columbia University's Weatherhead Institute looking at USForeign Policy and China.

Timor-Leste: textos importantes

Timor-Leste: Annan encoraja líderes a manterem a unidade e a assumirem erros
Lisboa, 01 Jun (Lusa) - O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, encorajou hoje os dirigentes de Timor-Leste a prosseguirem esforços para se manterem unidos e a assumirem responsabilidade pelos erros cometidos, numa mensagem ao povo timorense a difundir pela rádio e televisão nacionais. Na mensagem, em inglês e em tétum, Annan afirma também que a actual violência no país constitui uma "profunda desilusão" e que todos - dirigentes e comunidade internacional, incluindo a ONU - devem "reflectir muito seriamente" sobre as causas da actual crise e sobre o futuro do país. "Os dirigentes devem assumir responsabilidade pelos erros que cometeram. Falei com os vossos líderes políticos e pedi-lhes que trabalhem com as comunidades civil e religiosa para pôr fim à crise. Se assim não for, a vossa comunidade nacional, que impressionou o mundo inteiro pela sua coragem e capacidade de recuperação, corre o risco de ser consumida por militâncias mesquinhas e interesses pessoais", afirma Annan. O secretário-geral da ONU diz-se "animado" com "o esforço determinado" que os líderes timorenses estão a fazer "para se manterem unidos, para porem fim à crise e para adoptarem medidas que se enquadram na Constituição" e encoraja-os a "prosseguirem nesta via, pondo de lado as suas diferenças, no interesse do povo e do país". "Peço aos membros das forças de defesa e de segurança que cumpram a sua obrigação de defender a constituição e de manter a lei e a ordem. E peço a todos que apoiem as medidas de emergência anunciadas a 30 de Maio", afirma, referindo-se à assumpção pelo Presidente da República timorense, Xanana Gusmão, dos poderes em matéria de segurança e de defesa. O secretário-geral da ONU exorta também o povo timorense a "enfrentar aqueles que o tentam dividir" e a "não permitir que pequenas diferenças lhe roubem a paz, a democracia e a liberdade a que têm direito". "Também a comunidade internacional, incluindo as Nações Unidas, deve olhar criticamente para o seu papel no passado recente e estar ao lado de Timor-Leste nesta hora", diz Annan, assegurando depois que as Nações Unidas "estão ao lado do povo timorense" e "vão continuar a estar quando retomarem a nobre tarefa de construir uma nação timorense unida e próspera". Há dois dias, em declarações à imprensa em Nova Iorque, Kofi Annan admitiu que a retirada das forças de paz da ONU de Timor-Leste pode ter sido prematura e defendeu que, em situações de administração pós-conflito, a ONU "tem de lá estar a médio ou longo prazo". Na mensagem, Annan afiança ainda aos timorenses que o país "tem um lugar especial no coração das Nações Unidas", razão pela qual é com "ansiedade e tristeza" que a organização assiste à actual crise. "Não devemos desesperar. Pelo contrário, devemos agir juntos, urgentemente, para impedir que a situação se agrave ainda mais", exorta. MDR. Lusa/Fim

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Timor-Leste: Três agentes GOE fazem disparos para o ar para dispersar atacantes
Díli, 01 Jun (Lusa) - Três elementos do Grupo de Operações Especiais (G OE) da PSP foram hoje obrigados a efectuar disparos para o ar para dispersar um grupo de desconhecidos que os apedrejaram em Díli, disse fonte policial à Lusa. O ataque ocorreu cerca das 22:10 locais (14:10 em Lisboa) quando os trê s agentes do GOE, que não ficaram feridos, se deslocavam em resposta a um pedido de apoio de uma cidadã portuguesa e foram apedrejados por um grupo de desconhec idos no bairro de Caicoli. Os agentes fizeram vários disparos para o ar, logrando pôr em fuga os d esconhecidos. Efectivos militares australianos que se encontravam a uma certa distânc ia do local do incidente apenas intervieram depois dos disparos, segundo a mesma fonte. Esta foi a primeira vez que elementos dos GOE, que se encontram em Timo r-Leste para protecção dos cidadãos portugueses, foram obrigados a utilizar as s uas armas. Agentes dos GOE começaram hoje a garantir a segurança de Sukehiro Haseg awa, representante especial do secretário-geral da ONU em Timor-Leste, a pedido das Nações Unidas. EL. Lusa/Fim

Timor-Leste: textos importantes

09:44 01/06
Cingapura, 01 - A indústria de café do Timor Leste sofreu um sério golpe com o aumento da violência, que paralisou as operações em meio à temporada da colheita. "A colheita (da nova safra) começou em maio, e seu pico deve ser atingido neste mês. Mas, com todas as estradas fechadas, não há meio de transportar os grãos do interior para as fábricas processadoras", disse o diretor de café e de outras safras do Ministério da Agricultura, Caetano Cristóvão. O Timor Leste colhe toda a safra de café nos quatro meses a partir de maio. Os grãos são comercializados de junho até dezembro. Os participantes do mercado estimam que a produção atingirá entre 15.000 e 18.000 toneladas, ou em torno de 250.000 sacas de 60 quilos, em comparação com a safra de 2005, apontada em 10.000 a 11.000 toneladas.Apenas os pequenos fazendeiros estão colhendo e processando os grãos em máquinas pequenas ou secando-os ao sol, disse Cristóvão. Em termos globais, O Timor Leste, com sua produção média anual de 7.000 a 10.000 toneladas, é um produtor pequeno entre gigantes, como Brasil e Vietnã, contribuindo com cerca de 1% da produção global.No entanto, o café não é pouca coisa para a economia dessa república de apenas quatro anos de idade, sendo sua principal fonte de divisas estrangeiras. Um quarto da população (de 947 mil habitantes, em 2005) depende do café para subsistir. As informações são da Dow Jones.

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01/06/2006
O pequeno país que conquistou a simpatia do mundo balança com a disputa entre seus dirigentes, a Igreja e potências estrangeiras
Miguel Mora, enviado especial a Dili
Bandos de adolescentes violentos continuam aterrorizando com suas brigas étnicas todos os dias o bairro de Comoro; ontem houve um ferido grave e vários incêndios de barracos e pequenas casas. Enquanto isso, os tanques e helicópteros australianos patrulhavam a cidade. Ninguém foi detido.O exército está acantonado, a justiça não funciona -embora os países de língua portuguesa tentem implementá-la-, a polícia está desaparecida há um mês, a população faz filas durante horas para receber arroz e o pânico dos ataques já produziu 60 mil refugiados e deslocados que ontem não se moveram de seus esconderijos, apesar de já estarem em vigor as medidas especiais de segurança.Bem-vindos ao paraíso: Timor Leste, um dos países mais pobres, queridos e pequenos do mundo. Tem 857 mil habitantes e a mesma extensão que a província espanhola de Albacete. Um país muito bonito, amado por muita gente -o ex-presidente americano Bill Clinton e o secretário-geral da ONU, Kofi Annan-, mas talvez bem situado demais: desde o início dos tempos foi invadido por viajantes -chineses, portugueses-, muitas vezes foi espancado e assassinado por seus vizinhos -chineses, japoneses, indonésios, malaios.Que diabos aconteceu para que o mundo tenha deixado de festejar como vitória global a independência de Timor Oriental e de elogiar a coragem e a civilidade de seus heróicos governantes para pensar que é um Estado fracassado à beira do precipício? A resposta é complexa, porque, como diz um assessor do presidente Xanana Gusmão, "neste país nada nunca é linear". Mas há um conjunto de fatores que surgem pouco a pouco como motores da aguda crise atual.Timor tem a maior taxa de fertilidade do mundo -7,8 filhos por mulher-, um solo árido e muito pobre que mal chega para alimentar a população, uma idade média de 20 anos, nenhuma indústria digna desse nome e um desemprego galopante e sem subsídios que o compensem. Parece suficiente para deixar qualquer um em apuros. "O Estado está em transição e construção, a metade da ajuda externa é dedicada a pagar os assessores estrangeiros, ainda não há aposentadorias nem lei eleitoral, nem quadros técnicos bem formados, e (Mari) Alkatiri (o primeiro-ministro) prefere guardar as receitas do petróleo, cujo fundo de reserva já soma mais de US$ 600 milhões, a distribuí-lo demagogicamente entre as pessoas", diz um diplomata europeu.Mas é a deterioração da relação institucional entre as três figuras políticas máximas do país -o presidente Xanana Gusmão, o primeiro-ministro Mari Alkatiri e o ministro das Relações Exteriores, José Ramos-Horta- o que parece estar agora no centro do problema. "Os três são amigos desde a adolescência, por isso não se levam muito a sério", diz uma fonte próxima a Gusmão. "Alkatiri e Gusmão se respeitam e se temem igualmente, mas sempre acabam se entendendo", diz um assessor do presidente.A dupla Alkatiri-Ramos é a que rachou. A Igreja, a Austrália, os EUA, o petróleo e a ambição de poder surgem como as questões chaves de uma rixa que começou discreta e começa a se agravar diante da negativa de Alkatiri a se demitir e da necessidade imperiosa de colocar Ramos-Horta à frente da Defesa para recompor o exército e a polícia.Mas Ramos-Horta quer mais que o Ministério da Defesa. Sabe que tem todo o apoio e a influência internacional de uma Igreja Católica que presume contar com 98% de católicos no país e que não hesitou em catalogar o primeiro-ministro como muçulmano e comunista. Os padres criticaram ferozmente a aposta em separar a Igreja do Estado -há religião opcional nas escolas- e criticam suas políticas sociais como próprias "do Terceiro Mundo mais retrógrado". Alkatiri manda estudantes com bolsa a Cuba e em troca contratou 500 médicos cubanos para os hospitais públicos.Segundo indica uma fonte da cooperação européia, trata-se de uma luta sem quartel: "O partido de Alkatiri, o Fretilin, é a única organização, com a Igreja, que está implantada em todo o território. Para os padres locais, é um partido de Marx contra Deus". Há exatamente um ano, em abril de 2005, os bispos de Dili e Baucau, com a colaboração do embaixador americano, John Rees, homem de confiança de Bush e que ajudou a distribuir comida entre os manifestantes, lançaram o primeiro desafio de rua ao governo "infiel" de Alkatiri."Ofereceram ônibus e sanduíches e organizaram um acampamento no centro de Dili. Foi muita gente e gritava: 'Viva Cristo, morte a Alkatiri'", lembra um funcionário da ONU.

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Mais 10 casas são incendiadas na capital do Timor Leste
Díli, 01 Jun (Lusa) - Mais quatro casas foram incendiadas hoje no bairro de Aitarak-Laran, no centro da capital timorense, Díli. Com isso, já são dez casas queimadas na região em um período de 12 horas, todas pertencentes a timorenses da região leste do Timor Leste, da etnia lorosae.Celestino Baptista, que teve sua casa totalmente destruída, disse à Agência Lusa que vivia no bairro desde 2001 e que nunca teve problemas com a vizinhança. "Agora não sei o que vou fazer. A família está em Lospalos (cidade no leste do país) e eu fiquei com a roupa que tenho no corpo. Perdi tudo", disse. Resignado, não sabe o que fará: "Agora não tenho cabeça para pensar nisso".A área atacada fica a pouco mais de 20 metros dos muros que cercam um empreendimento turístico português a 100 metros da sucursal da Agência Lusa. Além disso, fica a poucas quadras de um conjunto residencial de militares australianos. Os bombeiros timorenses tentaram, mas não conseguiram controlar o fogo.Um morador que não quis se identificar disse à Lusa ter visto três ou quatro crianças rondando a região e acredita que foram os autores do incêndio. "Vi três ou quatro miúdos, que vieram e queimaram. Já ontem queimaram seis casas, agora foram quatro. Aproveitaram a ausência dos moradores", contou.Para ele, a estabilidade só chegará com os 120 policiais da GNR (Guarda Nacional Republicada, a polícia militarizada de Portugal), que devem partir amanhã ao Timor Leste. "Os australianos e os malaios não fazem nada. Estão à espera da GNR para segurar isto, porque o trabalho que eles fizeram quando estiveram aqui pela primeira vez foi muito bom", completou.A pior crise na ex-colônia portuguesa desde 1999 - quando se tornou independente da Indonésia - começou com o protesto de 600 militares que denunciaram discriminação étnica contra os loromonus (etnia do oeste do país) nas Forças Armadas, após serem exonerados. Depois, outros oficiais abandonaram seus postos, assim como policiais. Os confrontos entre ex-militares e ataques de grupos de civis armados deixaram cerca de 20 mortos na capital.Por não conseguir controlar a situação, as autoridades timorenses solicitaram ajuda militar à Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal. Mais de 2 mil militares e policiais australianos, neozelandeses e malaios já estão no país.Situação estabilizada, mas frágilO responsável pela missão das Nações Unidas no Timor Leste, Sukehiro Hasegawa, afirmou hoje a jornalistas que a situação no país está "estabilizada" mas continua "frágil". "Devemos reforçar nossas patrulhas de segurança e ajudar as forças policiais (internacionais) a espalhar-se pelo terreno o mais rapidamente possível", acrescentou.Hasegawa informou que há 65 mil pessoas refugiadas em vários locais de Díli. "Penso que a situação está controlada, alguns campos de refugiados precisam de alimentos, mas, pelo que sei, o Programa Alimentar Mundial (da ONU) começou a distribuir alimentos", disse.

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Milhares de pessoas fazem fila para receber arroz em Dili
Agência EFE (via Crocodilo Voador)
03:05 01/06, atualizada às 03:33 01/06Milhares de pessoas voltaram a se concentrar hoje nos armazéns governamentais de Dili para receber os sacos de arroz distribuídos para cobrir as necessidades básicas na capital do Timor Leste, onde cerca de 70 mil pessoas permanecem em acampamentos de refugiados devido à onda de violência. Uma longa fila esperava em frente ao armazém de arroz do Governo, no centro da cidade, onde cada família recebe um saco de 50 quilos. A distribuição terminou sem incidentes e sob a supervisão das tropas australianas. Vários tanques se posicionaram nos arredores para evitar saques. João Suarez, um pai de família com cinco filhos, era um dos timorenses que aguardavam pacientemente sua vez sob o sol que castiga a cidade. "Com 50 quilos, fico tranqüilo por 15 dias. Depois eu volto", disse à Efe Suarez, que há poucos dias voltou das montanhas, onde estava refugiado há duas semanas para escapar da violência. Suarez acrescentou que voltou a Dili esperando que a situação melhore. Ontem houve incidentes na área do mercado, onde grupos rivais promoveram incêndios. Mas hoje Dili respira uma situação de esperança, como disse o presidente, Xanana Gusmão, durante sua visita a um campo de refugiados. Na missão católica de Dom Bosco, na área do aeroporto, simpatizantes dos militares rebeldes queimaram hoje uma casa. Dom Bosco é o maior centro de refugiados de Dili, com 13 mil pessoas, em sua maioria da capital, que não se atrevem a voltar para suas casas. O padre salesiano Antonio Pinto disse à Efe que a situação está ficando crítica, com o fim das reservas de arroz e a paralisia do mercado local. As principais estradas que ligam Dili às províncias estão cortadas, e os comerciantes indonésios e chineses deixaram o país. "Se daqui a dois dias não chegarem mais mantimentos, entraremos numa crise total", disse.

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Agência EFE00:25 01/06
Um grupo de saqueadores atacou hoje um armazém de arroz na capital do Timor, depois de quadrilhas rivais do leste e oeste do país se enfrentarem durante a tarde e noite de ontem em vários pontos da cidade. A violência em Dili recomeçou depois de uma relativa calma, após dez dias de caos e ataques pelas ruas. O presidente, Xanana Gusmão, chegou a anunciar que havia assumido o controle das forças de segurança timorenses. A estrada do aeroporto à cidade foi um dos pontos mais violentos, com brigas a machadadas e pedras entre grupos de jovens rivais. As tropas australianas, que lideram o contingente internacional de mais de 2 mil homens enviado a Dili para pacificar a situação, tiveram que usar gases lacrimogêneos para dispersar os revoltosos, segundo jornalistas do país. À noite, um mercado foi incendiado no centro de Dili assim como várias casas, antes de as forças australianas chegarem. Dezenas de milhares de civis continuam refugiados em igrejas e outros lugares apesar de os comandantes australianos insistirem que eles podem voltar para suas casas. Na memória de todos ainda está viva a violência de 1999, após o plebiscito que decidiu pela independência. Na ocasião, milícias pró-indonésias, com a cumplicidade do Exército, atacaram civis nas ruas.

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East Timor reported by the Lusophone Blogosphere
East Asia, East Timor, Portugal, Weblog, Governance, War & Conflict, Politics
As I was writing this report about unrest and possible civil war in East Timor, I found myself in a war with the spell-checker in my word processor which insists that the word LUSOPHONE does not exist. Read on to see what might be embedded in a single word.
(continue a ler)

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Timor-Leste: Mais quatro casas queimadas hoje de manhã em Díli
Díli, 01 Jun (Lusa) - Mais quatro casas arderam hoje no bairro de Aitar ak-Laran, centro de Díli, elevando para 10 as que foram incendiadas no espaço de 12 horas na zona, todas pertencentes a timorenses da parte leste do país. Celestino Baptista, morador numa das casas que hoje ficou completamente destruída, disse à Lusa que vivia no local desde 2001 e que nunca teve problema s com a vizinhança. "Agora não sei o que vou fazer. A família está em Lospalos e eu fiquei com a roupa que tenho no corpo. Perdi tudo", disse. Resignado, não sabe o que vai fazer agora. "Agora não tenho cabeça para pensar nisso", comentou. A área atingida situa-se a pouco mais de 20 metros dos muros que cercam um empreendimento turístico de capitais portugueses, e dista ainda cerca de 100 metros, nas traseiras, da Delegação da Agência Lusa, e também a cerca de 100 me tros de um complexo residencial de militares australianos. Os bombeiros timorenses acorreram ao local, mas pouco puderam fazer, po is o fogo rapidamente alastrou às quatro casas. Um popular, que recusou identificar-se, disse à Lusa ter visto três ou quatro miúdos a rondar a zona, e acredita que foram eles os autores do incêndio. "Vi três ou quatro miúdos, que vieram e queimaram. Já ontem (quarta-fei ra) queimaram seis casas, agora foram quatro. Aproveitaram a ausência dos morado res", salientou. Para este popular, a situação de instabilidade só vai acabar com a cheg ada da GNR. "Os australianos e os malaios não fazem nada. Estão todos à espera da G NR para segurar isto, porque o trabalho que eles fizeram quando estiveram aqui p ela primeira vez foi muito bom", frisou. EL. Lusa/Fim

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Australian troops deployed to occupy East Timor
Canberra has used its economic and military clout since East Timor’s “independence” to bully the tiny state into giving up its claims over significant oil and gas fields in the Timor Sea. Successive Australian governments supported Indonesia’s brutal military rule over the half-island from 1975 to 1999, during which an estimated 200,000 Timorese were murdered. In exchange, Jakarta granted Australia a lucrative stake in Timor’s energy resources. Alkatiri’s government has also declined to accept any loans from the World Bank which would have required a series of economic reforms and, in 2004, it contracted CNPC, the major Chinese oil company, to explore for oil and gas fields in those areas of the Timor Sea under Dili’s control. All of these moves have raised major concerns in both Washington and Canberra. - James Cogan - Once again, like the US before it, Australia is engaging in a war of aggression and illegal occupaton of another country, for one reason alone - to get its hands on the oil and gas resources of East Timor. No other reason.
By James Cogan25 May 2006
In a blatant act of neo-colonialism, the Howard government is sending up to 1,300 Australian troops to re-occupy East Timor. Special Air Service commandos are already in the capital Dili and advance units of infantry are expected to deploy by air and join them this evening. The main force, consisting of more infantry and armoured vehicles, is aboard warships which have been hovering in Australia’s northern waters for the past two weeks, awaiting orders. They will arrive within 48 to 72 hours.
The reasons given by the Australian government—the well-being of the Timorese people, the preservation of stability and democracy and the protection of foreign nationals—are cynical lies. Nearly seven years after their so-called liberation by an Australian-led UN force, the vast mass of the Timorese people are just as impoverished as they were under the previous Indonesian dictatorship, while the Fretilin (Revolutionary Front for an Independent East Timor) government has ruled, in an increasingly authoritarian manner, on behalf of a tiny privileged ruling clique.
Canberra has used its economic and military clout since East Timor’s “independence” to bully the tiny state into giving up its claims over significant oil and gas fields in the Timor Sea. Successive Australian governments supported Indonesia’s brutal military rule over the half-island from 1975 to 1999, during which an estimated 200,000 Timorese were murdered. In exchange, Jakarta granted Australia a lucrative stake in Timor’s energy resources.
The ostensible pretext for the new deployment is a request by President Xanana Gusmao and Prime Minister Mari Alkatiri for assistance in ending a rebellion by a faction of the army and police against the government. On Tuesday, at least one government and one rebel soldier were killed during clashes on the outskirts of Dili. Further fighting took place yesterday, with rebel troops attempting to storm an army barracks. With thousands of people fleeing the city and rival armed mobs of youth allegedly forming, Gusmao and Alkatiri signed a letter last night asking for Australia, New Zealand, Malaysia, and Portugal to send troops and police. The Australian force, positioned in advance off the coast, responded immediately.
Tensions have been building in East Timor since 591 soldiers of the 1,400-strong army were sacked by Alkatiri for going on strike over poor pay and conditions and alleged nepotism within the military. The rebellion has the character of a communalist conflict between soldiers from the west of the state, the loromonu, against those from the east, the lorosae. The rebels are predominantly from the west, while the troops and police who have remained loyal to the Fretilin leadership are mainly from the east.
On April 28, a demonstration by the rebel troops in Dili was fired on by pro-government police. At least six people were killed and dozens more wounded. Unemployed loromonu youth, who had joined the rebel demonstrations to express their own resentments towards the government, looted and burned markets and homes belonging to easterners. Fear of further attacks led as many as 20,000 residents to flee the capital.
The events that have followed give strong grounds to suspect direct Australian complicity in the escalating instability. As in 1999, sectarian violence and a refugee crisis are being used to justify military action.
In early May, a small squad of about 20 Australian-trained military police and paramilitary police, led by Major Alfredo Alves Reinado, joined with the rebels and issued a demand that President Xanana Gusmao dismiss Alkatiri or they would wage a guerilla war against the government.
Alkatiri responded on May 9 by requesting that Portugal—the colonial ruler over East Timor until the 1975 Indonesian invasion— sponsor an extension of the UN presence on the island and send 100 or more paramilitary police to assist his government maintain stability. The request dovetailed with a series of steps by Alkatiri over the past several years to try and lessen the dependency of East Timor on Australia and its US backer and to strengthen ties with Portugal and the European Union.
Alkatiri’s government has also declined to accept any loans from the World Bank which would have required a series of economic reforms and, in 2004, it contracted CNPC, the major Chinese oil company, to explore for oil and gas fields in those areas of the Timor Sea under Dili’s control. All of these moves have raised major concerns in both Washington and Canberra.
The Howard government’s decision to dispatch two warships to the area has unfolded in this context. On May 12, after talks with the Bush administration, Howard announced the two warships would be sent to northern Australia for a possible deployment, without so much as notifying the East Timorese government. The following week, from May 17 to 19, a Fretilin congress was held where a faction of the leadership, including the ambassador to the UN and the US, Jose Luis Guterres, and the former ambassador to Australia, Jorge Teme, initiated a campaign to unseat Alkatiri as party leader and prime minister. The campaign received open backing from the Australian media.
But on May 19, Guterres’ attempt to unseat the prime minister collapsed when the overwhelming majority of Fretilin delegates re-endorsed him in a vote on the floor of the congress. Later that day, the European Union announced a $US30 million grant to East Timor. Three days later, on Monday May 22, five of the first six exploration contracts for Timorese fields were granted to Italian energy company ENI.
On Tuesday, the rebel soldiers ignored offers of talks from Gusmao and Alkatiri and provoked the violent clashes. Their openly stated aim has been to create a crisis, and force the hand of the government to allow the Australian troops in. SBS journalist David O’Shea reported on Tuesday, after interviewing rebel leader Major Reinado, that the rebel troops were “calling out for Australian peace-keepers”.
Yesterday, Australian Prime Minister John Howard told a press conference in Ireland that there would be no Australian military intervention until his government received a written invitation, signed by both the president and prime minister of East Timor. The Australian reported this morning that Gusmao and Alkatiri had been involved in a “shouting match” over the decision to invite foreign troops, which only came after lengthy phone calls between Australian Foreign Minister Alexander Downer and his Timorese counterpart Jose Ramos Horta.
As the troops flood into Dili, the Australian political establishment is making no secret of its general sympathy for the rebel soldiers, its animosity toward Alkatiri and its desire for “regime change”.
While Alkatiri was denouncing the rebels for making threats of “bringing down the state”, acting Australian prime minister and treasurer Peter Costello told the Australian Broadcasting Corporation that the rebels had “political grievances” and “industrial grievances” that an independent commission should investigate.
Today’s Sydney Morning Herald editorial declared that responsibility for the split in the armed forces “lies with the Prime Minister Mari Alkatiri” and that “Alkatiri should consider stepping aside”. The Australian denounced Alkatiri for having a “political tin ear” and that it was essential the Australian troops were seen “as the ally of the Timorese people, rather than the protector of politicians”. The editorial referred to the rebels as “alienated former soldiers” who “suspect their leaders of mercenary motives”.
It appears that moves are already afoot to launch another challenge to Alkatiri’s leadership. Replying to a question about whether the invitation of troops amounted to an admission by Alkatiri that he had lost control, East Timor’s foreign minister Horta declared it was an “acknowledgement of our inability to lead our people in a wise and effective manner”.
Horta is regarded more favourably by the Howard government. Like Gusmao, he is being lined up to play a key role in replacing Alkatiri and ensuring East Timor remains a pliant Australian client state.
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Source: wsws.org

Timor: blogs

Talvez o primeiro blog feiuto em Tétum por um timorense e a partir de Díli. Bem vindo.
Lia Haroman

Timor-Leste: textos importantes

Timor (via Crocodilo Voador)
by Maryann Keady
May 31, 2006
Three years ago, I wrote a piece talking about attempts to oust PrimeMinister Mari Alkatiri in East Timor, then a new strugglingindependent nation. I wrote that I believed the US and Australia weredetermined to oust the Timorese leader, due to his hardline stance onoil and gas, his determination not to take out international loans,and their desire to see Australia friendly President Xanana Gusmaotake power.Three years later, I am unhappy to say that the events I havepredicted are currently taking shape. The patriotic Australia media,that has unquestionably fallen into line over every part of JohnHoward's Pacific agenda - including the Solomon's excursion - is nowtrumpeting the ousting of Alkatiri, a man who has gamely defiedAustralia's claims over it's oil and gas, many of the paper's foreigneditors clearly more in tune with the exhortations of Australia'sDepartment of Foreign Affairs and Trade than the sentiments amongTimorese.I arrived in Dili just as the first riots broke out on April 28 thisyear- and as an eyewitness at the front of the unrest, the very youngsoldiers seemed to have outside help - believed to be localpoliticians and 'outsiders'. Most onlookers cited the ability of thedissident soldiers to go from an unarmed vocal group, to hundredsbrandishing sticks and weapons, as raising locals' suspicions thatthis was not an 'organic' protest. I interviewed many people - fromFretlin insiders, to opposition politicians and local journalists -and not one ruled out the fact that the riots had been hijacked for'other' purposes. The Prime Minister himself stated so. In a speech onthe 7th of May, he called it a coup - and said that 'foreigners andoutsiders' were trying once again to divide the nation. I reportedthis for ABC Radio - and was asked if I had the translation wrong. Ipatiently explained no - we had carefully gone through the speech wordfor word, and anyone with any knowledge of Timorese politics wouldunderstand that is precisely what the Prime Minister meant. No othermedia had bothered to go to the event - the Australian mediapreferring to hang out with the rebel soldiers or Australian diplomatsthat all wanted Alkatiri 'gone'.Since his election, Alkatiri had sidelined the most important figurein Timorese politics - President Xanana Gusmao - and the tensionbetween the two has been readily apparent. Alkatiri, has a differentview to Gusmao about how the country's development should take place -slowly, without 'rich men feasting behind doors' was the way hedescribed it to me, a steady structure of development the way todevelop a truly independent nation. His ability to defend Timor's oiland gas interests against an aggressive Australia and powerfulbusiness interests, and his development of a Petroleum Fund to protectTimor's oil money from future corruption never accorded with thecaricature created by his Australian and American detractors of a'corrupt dictator.'The campaign to oust Alkatiri began at least four years ago - Irecorded the date after an American official started leaking mestories of Alkatiri's corruption while I was freelancing for ABCRadio. I investigated the claims - and came up with nought - but wasmore concerned with the tenor of criticism by American and Australianofficials that clearly suggested that they were wanting to get rid ofthis 'troublesome' Prime Minister. Like Somare, he was not doingthings their way. After interviewing the major political leaders - itwas clear that many would stop at nothing to get rid of Timor's firstPrime Minister. President Xanana Gusmao, three years ago, did notrule out dissolving parliament and forming a 'national unitygovernment'.Gusmao and his supporters (including Jose Ramos-Horta) have privatelycalled Alkatiri an 'Angolan communist' with his idea of slow paceddevelopment not something Gusmao and his Australian supporters agreewith. Other than that, it is hard to work out why President Gusmaowould allow forces to unconstitutionally remove this Prime Minister.In Timor, many see Gusmao at fault here, for disagreeing with thePrime Minister over the sacking of the soldiers (it should have beenresolved in private) while others see him as the architect of thewhole fiasco, his frustration with his limited political role allowinghim to be convinced by his Australian advisors to embark on aneedlessly bloody coup.In the last few days we have heard from young Timorese writerscurrently at the Sydney Writer's Festival. They have a different takefrom the Australian media on what is happening in Timor. Take thisquote by one young writer:'… it is suspicious and questionable. It is difficult to analyse whyAustralia wants to go there. I think it is driven by concerns overAustralia's economic security, including the oil under the sea, ratherthan concern for the people of East Timor. 'I am scared it is lessabout East Timor's security than Australia's security and interests.'Gil Gutteres, the head of Timor's journalists association TILJAsimilarly last month said old style fears of communism, and economicinterests of Australia were driving the anti-Alkatiri campaign, andwere behind the violence. In fact, there is hardly a person in Timorthat doesn't understand that this is about big politics - helped byinternal figures wanting to control the oil and gas pie.And yet the Australian press is full of 'our boys' doing us proud.This does not equate with sentiment on the ground, or answer thequestion as to where the rebel forces could have received support forthis foolhardy campaign that has led to many Timorese beingfrightened, distressed and homeless.Just this evening, witnesses spoke of Australian army personnelstanding by while militia fired on a church in Belide. During theearly violence, not one UN soldier intervened to stop the small bandof rioters, and the recent actions of the Australian troops add fuelto speculation that they are letting Timor burn.Alkatiri, for his part is refusing to step aside, saying that onlyFretlin, his party, can ask him to resign. If he does go, the Timoresehave the Australian media to thank for their unquestioning support ofthis coup. Perhaps they can explain to the starving citizens (thatwere already ignored by Australia for 25 years) why Australia nowcontrols their oil and gas. More importantly, the politicians in Timorthat have been party to the violence will have to explain to thepeople their involvement in this latest chapter of its traumatichistory.Maryann Keady is an Australian radio producer and journalist who hasreported from Dili since 2002. She is currently a professionalassociate at Columbia University's Weatherhead Institute looking at USForeign Policy and China.

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Timor-Leste: Xanana Gusmão pede cooperação da polícia e dos jovens
Díli, 01 Jun (Lusa) - O presidente da República de Timor-Leste, Xanana Gusmão pediu hoje a cooperação da polícia, dos jovens e dos chefes de aldeia para restabelecer a paz em Díli e para prestar auxílio aos refugiados. "Todos temos de cooperar. Vocês, os polícias que aqui estão, os jovens de Díli e os chefes de aldeia. Todos temos de cooperar para parar com tudo o que tem acontecido na cidade. Para restabelecer a paz", afirmou Xanana Gusmão. "Hoje temos de trabalhar em conjunto para ajudar as crianças, as famílias nos campos de refugiados, sem água e sem comida", sublinhou o presidente da República timorense, perante cerca de 70 efectivos da polícia nacional de Timor-Leste. O chefe de Estado efectuou hoje uma visita ao quartel-general da Polícia Nacional, atacado a 24 de Maio por elementos das Forças Armadas de Timor-Leste. RBV. Lusa/fim

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Agência Estado20:49 31/05
O líder dos soldados que se rebelaram no Timor Leste, Alfredo Reinaldo, disse hoje que a decisão do presidente Xanana Gusmão de assumir o controle do Exército e da polícia para conter a onda de violência no país que já deixou 27 mortos "é um erro e não uma solução".Reinaldo exigiu a renúncia do primeiro-ministro Mari Alkatiri, dizendo que ele é um criminoso que não deveria estar no poder. Alkatiri, por sua vez, disse hoje que não renunciará apesar das pressões. Timor, o país mais jovem e pobre da Ásia, vive a sua maior crise desde 2002. Em 1999, a ex-colônia portuguesa que era ocupada pela Indonésia votou pela sua independência. Professores brasileirosA Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) mudou sua posição sobre a situação dos 23 professores brasileiros que estavam em Timor. Ontem, uma nota da instituição dizia que, por decisão dos ministros da Educação, Fernando Haddad, e das Relações Exteriores, Celso Amorim, os professores voltariam ao Brasil. Hoje, a Capes comunicou que os professores permanecerão 15 dias em Darwin, na Austrália, até a situação se acalmar em Timor. Dos 23 bolsistas, porém, três ficaram em Díli. Oficialmente, a Capes aguarda a ida desses professores para Darwin. Dos 20 professores já na Austrália, dois decidiram voltar ao Brasil. Os professores brasileiros integram o Programa de Qualificação de Qualificação e Formação de Docentes em Língua Portuguesa. Inicialmente, deveriam ficar em Timor até novembro.

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This story is from our news.com.au network Source: AAP
Mothers demonstrate for Dili peace By Rob Taylor in Dili
June 01, 2006 SOME of East Timor's mothers and children have demonstrated for peace outside the Government Palace in central Dili. In baking sun and watched over by Australian soldiers, around 100 people wearing head bands and chanted "We want peace" and "We love Timor". They demanded the country's leaders stop days of politically-motivated gang violence. They vowed to stay there for three days or until there was a breakthrough in talks aimed at ending a power struggle over who was leading the country's security forces. A few kilometres away from the group at a market on the city's western outskirts, troops threw teargas to break up warring groups of east and west Timorese. "The children are sick of it and they need to be free of this fear," protest organiser Filomena Reis said. "They cannot sleep under the dust and rain in the open any longer. "In the day they are so hot and at night now it is very cold." The group unfurled banners in the palace forecourt calling onPresident Xanana Gusmao and rival Prime Minister Mari Alkatiri to stop squabbling and solve the country's problems. "It is their responsibility," said Reis, from East Timor's Peace and Democracy Foundation. "The burning of the houses, the killing of the people, it has to stop," she said. No one was on hand to greet the protesters. Mr Gusmao was several blocks away at police headquarters urging serving officers to holster guns and unite behind him. Aid agencies estimate between 50,000 and 100,000 people have been driven from their homes by East Timor's communal unrest, packing into United Nations emergency camps, into churches, parks and fields near international peacekeeping troops. The World Food Program says 65,000 people are sheltering in camps around the capital, Dili, where at least 21 people have been killed in violence, which first flared after almost 600 disgruntled soldiers quit the army claiming ethnic discrimination.

Timor-Leste: textos importantes


Embora ainda não tenha recebido nenhum pedido de ajuda para conter a violência em Díli, capital do Timor Leste, o governo brasileiro já estuda meios de colaborar. O Comando de Operações Terrestres do Exército avalia quantos homens e quais equipamentos teria para colocar à disposição. Cerca de 150 soldados da Polícia do Exército integraram a Força de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU) que ficou no Timor até as eleições presidenciais.
Leia abaixo o texto
A avaliação das autoridades brasileiras é que as tropas da ONU deixaram o país antes da hora. Com o reinício dos conflitos, tropas da Austrália retornaram ao Timor, e as da Nova Zelândia e de Portugal estão sendo esperadas. Por isso os militares brasileiros estão verificando se, caso sejam convocados, precisarão de nova autorização do Congresso para partir para Díli, ou se a autorização concedida anteriormente continua valendo.
A Polícia do Exército tem batalhões em Brasília, no Rio, em São Paulo e no Recife. O Exército brasileiro mantém um oficial de observação em Díli.

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31/05/2006 - 04h45
Austrália quer restabelecer força de paz da ONU no Timor
Sydney, 31 mai (EFE).
- O ministro da Defesa da Austrália, Brendan Nelson, defendeu hoje a criação de uma força de paz das Nações Unidas para manter a ordem no Timor Leste.O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que, na sua opinião, a organização, que administrou o país entre 1999 e 2002, se retirou cedo demais.O Governo do Timor tem que avaliar se precisa de um Exército maior e como quer administrar a sua Polícia, afirmou Nelson. Ele acrescentou que a Austrália acredita no futuro do Timor e por isso dedica tanto apoio político, militar, econômico e diplomático ao país.Em Dili, o comandante das tropas australianas no Timor, Mick Slater, disse em entrevista coletiva que as forças internacionais estão trabalhando tanto com o presidente, Xanana Gusmão, quanto com o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, para restaurar e manter a ordem.O comandante negou a informação publicada hoje pelo jornal australiano "Sydney Morning Herald" de que as tropas australianas tinham atirado para o alto ontem à noite, para dispersar grupos rebeldes.Slater garante que as tropas internacionais não deram um tiro sequer desde sua chegada ao país. Mas confirmou que os militares australianos usaram ontem gás lacrimogêneo para controlar os bandos, e pode voltar a lançar mão do recurso.

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Forças estrangeiras contribuem para melhorar situação - Ramos Horta
Díli, 31 Mai (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste reconheceu hoje que ainda existe medo e há muito por fazer para restaurar a paz no país, mas a acção das forças estrangeiras está a contribuir para uma melhoria da situação."Naturalmente que ainda existe medo e muito falta ainda fazer para que a paz de espírito seja restaurada e as pessoas se sintam confiantes em regressar às suas casas e retomarem as suas actividades", afirma José Ramos Horta em comunicado.Segundo o ministro, regista-se, no entanto, uma melhoria da situação decorrente da intensificação e reforço, em cada vez mais áreas da capital timorense, da acção dos militares e polícias enviados pela Austrália, Malásia e Nova Zelândia.Lembrando que a última madrugada foi a primeira em que foi possível dormir sem sobressaltos ou receios, Ramos Horta acrescenta que no resto do país não há registo de incidentes.Com o objectivo de avaliar pessoalmente o que se passa nos distritos do interior, o ministro dos Negócios Estrangeiros está a efectuar contactos e visitas a vários distritos.Hoje deslocou-se ao Suai, distrito de Covalima, onde contactou a população e estabeleceu contactos com efectivos da Unidade de Patrulha de Fronteira, da Polícia Nacional de Timor-Leste, e com os oficiais de ligação das Nações Unidas."Salientei aos funcionários da administração pública a importância de continuarem a servir as populações e em não se afastarem das suas obrigações", frisou.Ramos Horta aproveitou para informar a população dos últimos desenvolvimentos visando a resolução da crise em Díli, designadamente a comunicação ao país do Presidente Xanana Gusmão

4.6.06

Timor-Leste: textos importantes

31/05/2006 - 09h15
Capital do Timor ainda tem saques, mas tensão já é menor
Díli, 31 Mai (Lusa) - Um dia depois de o presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, ter assumido a responsabilidade pelas áreas de defesa e segurança, a capital Díli estava mais calma hoje, embora alguns incidentes tenham sido registrados.Pelo menos três pequenas mercearias no terminal rodoviário foram saqueadas e incendiadas pela manhã (noite de ontem no Brasil) no bairro de Bécora. Após a intervenção de militares australianos, o local ficou deserto. Também em Bécora, pelo menos cinco casas incendiadas na terça-feira ainda estavam queimando.Já no bairro de Comoro, no leste de Díli, um ataque de cerca de 50 civis armados ao mercado local deixou pelo menos uma pessoa ferida, que foi socorrida por soldados australianos. Segundo testemunhas, o grupo também incendiou seis casas e cerca de dez barracas do mercado.Apesar disso, a tensão em Díli estava menor e, embora a maior parte das lojas continuasse fechada, crianças vendiam hortaliças nas ruas, já havia mais trânsito e postos de gasolina começaram a funcionar. Com tropas australianas em toda parte, os moradores começaram a se deslocar, dirigindo-se para casa ou aos centros de distribuição de arroz - mas voltando ao local onde estão refugiados. Segundo as Nações Unidas, 70 mil pessoas estão desalojadas.A capital timorense vive uma crise desde o final de abril, depois de cerca de 600 soldados terem sido exonerados das F-FDTL (Falintil-Forças de Defesa do Timor Leste) por causa de protestos contra discriminação étnica. A crise se agravou com a deserção de efetivos das F-FDTL e da Polícia Nacional e após confrontos, que também envolveram grupos de civis armados. As autoridades pediram ajuda militar à Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal para combater a violência, que já matou cerca de 20 pessoas.Mais tropasUm grupo de 123 militares da Nova Zelândia chegou hoje a Díli para integrar a força internacional. "A partir de hoje, temos 180 efetivos no Timor Leste", disse a tenente Barbara Cassin, porta-voz das forças neozelandesas no TimorPortugal vai contribuir com 120 agentes da GNR (Guarda Nacional Republicana, a polícia militarizada), cuja partida ao Timor Leste está prevista para amanhã. A Austrália já enviou cerca de 1.800 militares e 50 agentes da polícia federal, enquanto a Malásia tem entre 200 e 250 homens.

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Timor-Leste: Falhou acompanhamento das jovens forças de segurança - Especialista
Lisboa, 31 Mai (Lusa) - A desarticulação das forças de segurança de Timor-Leste deveu-se à falta de um acompanhamento internacional indispensável a uma força criada "do nada", defendeu hoje o subintendente Luís Elias, responsável pela formação da polícia timorense em 2002-2003. Luís Manuel André Elias apresentou hoje ao fim da tarde, em Lisboa, o livro "A Formação das Polícias nos Estados Pós-Conflito: o caso de Timor-Leste", editado pelo Instituto Diplomático e que resulta da tese de mestrado em Ciência Política do subintendente da PSP, elaborada com base na sua experiência enquanto responsável directo pela formação da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL). "O livro aborda o processo de formação da Polícia Nacional de Timor-Leste e a construção do primeiro Estado do século XXI a partir do nada", explicou o subintendente Elias à Agência Lusa. "A principal lição apreendida é a de que o processo de construção de um Estado não se compadece com projectos de curta duração. A consolidação tem de ser feita a longo prazo, quer através da cooperação bilateral, quer através das Nações Unidas", afirmou. Questionado sobre se discorda da saída das Nações Unidas de Timor-Leste - com o mandato da actual missão prolongado em Maio por um mês -, Luís Elias não hesita: "Foi prematura (Ó) sobretudo a pressa em transferir responsabilidades para as autoridades locais", disse, frisando contudo que não inclui nestas responsabilidades as de Governo, que considera acertado estarem completamente nas mãos dos timorenses. "A missão está lá, mas reduziu muito os seus efectivos e o seu empenho no acompanhamento das instituições (Ó) A consolidação da cadeia de comando e controlo ficou entregue a meia dúzia de conselheiros", disse, explicando que esse número é muito insuficiente para assegurar "a complexidade da formação de uma polícia e da sua relação com as outras instituições". Essa falta de acompanhamento fez com que "haja processos muito complexos que não correram bem", de que é exemplo "a integração dos ex- combatentes", "muitos dos quais não foram reintegrados com sucesso na sociedade". Depois de afirmar que esse longo processo de consolidação deve ser assumido tanto pela ONU como pelos principais países doadores, o subintendente Elias sublinhou também a importância da "coordenação entre os diferentes países" para que haja uma "interligação entre os projectos em áreas conexas", coordenação que considerou não ter existido. Neste contexto, a actual crise "não (o) surpreende", embora faça questão de sublinhar que "a desarticulação começou nas Forças de Defesa", com o abandono dos quartéis por mais de 500 militares, em Fevereiro, a que se seguiram, em Maio, dezenas de outros, que desertaram em protesto pela intervenção das Falintil - Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) nas manifestações do fim de Abril. "Isto não é uma crítica aos timorenses. Agora, são obviamente instituições frágeis que requerem maior acompanhamento. Quando se tem as forças de defesa a disparar contra a polícia, algo está mal", disse, referindo-se aos incidentes de quinta-feira passada, em que dez polícias morreram e cerca de 30 ficaram feridos quando militares das F- FDTL dispararam sobre polícias desarmados. Para o subintendente, uma situação com a que se vive "tem de ter consequências" junto da ONU e dos principais doadores. Luís Elias defende a ida para Timor-Leste de uma nova missão da ONU que acompanhe a consolidação das jovens instituições do país, "numa actuação integrada" com os principais doadores "e em conjugação com as autoridades timorenses". Essa missão, considerou, deve ser "reforçada em diversas áreas", desde logo na da segurança interna e de defesa.
MDR. Lusa/fim

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DILI, East Timor -- East Timor was supposed to be a showcase for U.N. nation-building, a rousing symbol of how a downtrodden land could stand on its own with help from the world.Instead, one of Asia's poorest countries became an emblem of upheaval as the army battled former soldiers in the capital and gangs burned homes and assaulted each other with machetes.Australian-led forces, who came to East Timor in the midst of a bloody transition from Indonesian rule in 1999, are back to keep the peace in the capital. Virtually all government offices are closed, and many lawmakers have fled.It's a sad departure from 2002, when East Timor declared independence in a joyous display of fireworks, traditional dance and drum music after a period of U.N. oversight and an infusion of international aid. U.N. chief Kofi Annan and former President Bill Clinton were among the celebrants.So why did the former Portuguese colony descend so abruptly into brutality and political paralysis?"These sorts of problems are absolutely common to newly independent, postcolonial states. They always have a lot of things to sort out," said Damien Kingsbury, an Australian academic and an expert on East Timor."The belief is always that independence is the end of the struggle, whereas in reality independence is the beginning of the struggle," he said.East Timor is an extreme case, a neglected territory where violence and deprivation became routine for many people during 24 years of harsh Indonesian occupation. Their hopes that conditions would suddenly improve after independence were all but impossible to fulfill.advertising"They don't see the benefits in economic terms," said Zhu Xian, who directs World Bank operations in East Timor. "That probably generated a lot of frustration."He said many new nations lapse into violence five years after independence as an early surge of optimism fades and deeply rooted tensions overwhelm weak, untested institutions.East Timor is no exception, despite the efforts of a transitional U.N. administration that drew nearly 10,000 civilian and military personnel to the country of fewer than 1 million people.The territory was a key focus for the United Nations because militias linked to the Indonesian military killed, burned and pillaged after East Timor voted for an end to Indonesian rule.Indonesian civil servants fled, leaving empty posts that could not be filled by untrained local residents. East Timor was left with only 20 percent of its secondary school teachers, only 23 medical doctors, and no pharmacists, according to a World Bank report.Many buildings were quickly rebuilt under U.N. supervision, and advisers from across the world helped train lawyers, judges and the armed forces. East Timor held elections and adopted a constitution.But some observers believe the United Nations left East Timor too soon - U.N. peacekeepers pulled out a year ago - and retained too much authority for too long.Mario Viegas Carrascalao, an opposition leader and former governor of East Timor under Indonesian rule, said he had told U.N. officials that they should keep a robust presence in the region for at least a decade so democratic institutions could mature."We have to change minds, improve human resources, create an economic base," Carrascalao said. The large international presence scaled back in 2002, exacerbating already high unemployment rates.After protracted negotiations with Australia over territorial rights, East Timor has yet to fully reap the benefits of oil and gas reserves under the Timor Sea. Its non-oil economy of coffee harvests and subsistence agriculture is stagnant and only a trickle of tourists visit.Also, the tensions between old independence fighters and those perceived to be sympathetic to Indonesia were never resolved, and they have flared up in the recent violence.East Timor has sought to reconcile with Indonesia. But the lack of will to pursue prosecutions for occupation-era killings, or a reconciliation commission similar to that of post-apartheid South Africa, means there is no outlet for resentments.Amid the euphoria of independence celebrations in 2002, President Xanana Gusmao delivered a warning that seemed to presage the recent violence in Dili."Our independence will have no value if all the people in East Timor continue to live in poverty and continue to suffer all kinds of difficulties," Gusmao, a former guerrilla leader, said. "We gained our independence to improve our lives."

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31/05/2006 - 12h42
Timor Leste vive dias de anarquia sectária
SÃO PAULO - Timor Leste vive uma situação de anarquia nos últimos dias, com uma onda de violência entre gangues rivais e enfrentamentos entre membros da polícia e do Exército, leais respectivamente ao presidente Xanana Gusmão e ao premiê Mari Alkatiri, que disputam o poder no país. Ao menos 20 pessoas foram mortas desde o início dos choques, na semana passada, e cerca de 60 mil tiveram de fugir de suas casas.Grande parte da população está recebendo ajuda humanitária da ONU. Mais de 2 mil soldados australianos foram enviados para tentar proteger os civis pegos em meio ao fogo cruzado. Grupos de civis armados com armas brancas estão atacando e incendiando residências e edifícios públicos em Díli.Ontem, foram saqueados os gabinetes do Ministério da Justiça e da Procuradoria-Geral. O presidente Xanana Gusmão assumiu poderes de emergência para lidar com a crise.

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31/05/2006 - 12h13
Brasil, Portugal e FMI pedem diálogo no Timor Leste
Díli, 31 Mai (Lusa) - Brasil, Portugal e outros 12 países e instituições financeiras que dão ajuda ao Timor Leste lançaram hoje um apelo aos grupos em conflito para que ponham fim à violência no país, que já matou cerca de 20 pessoas e deixou 70 mil desabrigados.Em comunicado, a Comunidade Internacional de Doadores afirma que o Timor Leste precisa proteger as conquistas que obteve desde o início do processo de independência da Indonésia, há sete anos. "A nação mais nova do mundo se recuperou da devastação causada pela crise de 1999 com grandes passos, ao construir sua economia e criar um serviço público a partir do zero", diz o comunicado."Estes ganhos, que foram obtidos graças a esforços significativos do povo timorense, não podem ser destruídos pela violência e o conflito", diz a Comunidade, que afirma esperar que as forças internacionais no país ajudem restaurar a segurança na capital Díli."Todos os envolvidos devem aproveitar a oportunidade de diálogo entre si e com a população para encontrarem uma solução pacífica", diz o documento, que destaca a chegada, esta semana, do enviado especial das Nações Unidas ao país, Ian Martin.Além de Brasil e Portugal, assinam o comunicado Austrália, Estados Unidos, Finlândia, Irlanda, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Suécia e Reino Unido, e ainda Comissão Européia, Banco Asiático de Desenvolvimento, Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial.Antiga colônia portuguesa, o Timor Leste foi ocupado pela vizinha Indonésia em 1975. Em 1999, a população a independência em um referendo, mas milícias pró-Indonésia realizaram um massacre no país. A ONU então enviou uma missão, a UNOTIL, e em 2002 o país completou o processo de independência.A capital timorense vive uma crise desde o final de abril, depois de protestos violentos de cerca de 600 soldados exonerados das F-FDTL (Falintil-Forças de Defesa do Timor Leste). A crise se agravou com a deserção de efetivos das F-FDTL e da Polícia Nacional e após confrontos, aparentemente de natureza étnica, que também envolveram grupos de civis armados. As autoridades pediram ajuda militar à Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal para combater a violência, que já matou cerca de 20 pessoas

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31/05/2006 - 11h43
Líder rebelde de Timor Leste rejeita as medidas do presidente Xanana Gusmão
DILI, 31 mai (AFP) - O líder dos soldados rebeldes do Timor Leste, Alfredo Reinado, rejeitou nesta quarta-feira as medidas anunciadas pelo presidente Xanana Gusmão para restabelecer a calma no país, tornando pouco provável uma solução rápida para a crise que já dura várias semanas."Não é uma solução", afirmou à AFP o comandante Reinado, entrevistado por telefone em sua base situada na periferia da capital Dili. "O presidente cometeu um erro", assegurou.O líder rebelde disse que qualquer solução para o conflito no Timor Leste deve incluir a demissão do primeiro-ministro Mari Alkatiri, que expulsou Reinaldo e outros 600 soldados do Exército no mês passado, desatando a atual onda de violência no país.O presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, anunciou nesta terça-feira que em virtude dos poderes de emergência assumiu o controle total do Exército, depois de vários dias de violência neste pequeno país asiático.O Exército estava até o momento sob o controle do primeiro-ministro, alvo de várias críticas por não ter conseguido, segundo os detratores, impedir a explosão do conflito entre militares desertores e tropas regulares.Os poderes de emergência serão assumidos pelo presidente durante um período de 30 dias, eventualmente prorrogáveis, acrescentou o presidente.Gusmão estimou que estas medidas são necessárias para deter a violência e restabelecer a ordem pública, mas descartou ceder às pessoas, em particular ao apelo das ruas, que reclamam a saída de Alkatiri, acusado de não ter impedido a violência.O líder rebelde pede a cabeça de Alkatiri por considerá-lo um "criminoso que não deveria ser autorizado a continuar como primeiro-ministro".Alkatiri afastou o comandante Reinado no final de abril e os 600 soldados, quase 40% das forças timorenses, desertaram ao se sentirem vítimas de discriminações.Quase 20 pessoas morreram nos distúrbios da semana passada, mas não houve mais mortes desde que uma missão internacional de tropas estrangeiras, comandada pela Austrália e integrada por 2.250 homens, chegou para controlar a situação e desarmar os bandos armados e facções rivais que semeiam o terror em Dili.
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Timor Leste
Xanana Gusmão

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31-05-2006 19:32:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-8041084
Na mesma cerimónia, realizada junto à Torre de Belém, o primeiro-ministro manifestou a sua "confiança" no "empenhamento, profissionalismo ecompetência " da GNR."Quero que saibam, que o país tem orgulho na GNR, que é uma força prestigiada internacionalmente, que tem sabido estar à altura dascircunstâncias mais difíceis em nome de Portugal e da comunidadeinternacional", disse José Sócrate s.O comandante-geral da GNR, Mourato Nunes, realçou que a presença doprimeiro-ministro na cerimónia "espelha a relevância política daparticipação da GN R nesta missão de paz em Timor e confere dignidade aeste acto público".Antes da sua intervenção, o comandante-geral entregou o estandartenacional ao subagrupamento Bravo, o que simboliza a entrega do comandomilitar.Mourato Nunes enalteceu o apoio do ministro da Administração Interna,António Costa, para "superar a multiplicidade dos problemas destamissão", e realçou que a partida dos militares representa um gesto desolidariedade para com um povo amigo a quem Portugal está ligado porséculos de história.Referiu estar ciente dos "perigos e ameaças" que os militaresenfrentarão, mas sublinhou que nada disso os afastará do cumprimento damissão."Não há ameaças ou perigos que nos possam afastar do dever de servirPortugal", enfatizou.Classificou ainda a GNR como uma força de segurança moderna e ecléticacapaz de responder "aos grandes desafios do nosso tempo".Agradeceu o apoio incondicional do governo nesta missão e manifestou atodos os militares que vão partir para Timor que, apesar da distância "aGNR est á próxima deles".FC.Lusa/Fim

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31-05-2006 19:31:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-8041063
Lisboa, 31 Mai (Lusa) - Um grupo de jovens universitários portuguesesorganiza quinta-feira em frente da Torre de Belém, em Lisboa, umaconcentração para apelar à união dos jovens timorenses contra aviolência registada no último mês em Timor-Leste."Os jovens universitários portugueses sensibilizados e preocupadosjuntaram-se e decidiram fazer um apelo aos jovens timorenses para seunirem contra a violência", disse hoje à Agência Lusa Bernardo Pereira,um dos dinamizadores da iniciativa.Durante a concentração, que terá início às 18:00, será realizada umacerimónia que começa com a leitura de uma Declaração Pública aos jovensem tétum, por um estudante timorense, e em português, pela jornalistaFátima Campos Ferreira.A Declaração Pública será depois entregue à embaixadora de Timor-Lesteem Portugal, Pascoela Barreto, ao som do hino timorense."Vai ser uma cerimónia simples, a única mensagem é a causa de Timor",frisou Bernardo Pereira.Aos jovens interessados em participar na concentração é sugerido quelevem uma flor branca, símbolo da paz.A Declaração Pública apela a "todos os jovens timorenses, que se unamcontra a violência", porque a "Paz, a Democracia e a Liberdade sãovalores inalienáveis e inadiáveis".No documento, é também pedido aos jovens timorenses que "acreditem nofuturo", sublinhando que só o "diálogo, o respeito, a união e o trabalhoserão resposta para a resolução das dificuldades".A Declaração Pública a ser entregue à embaixadora timorense pode serconsultada e subscrita num blogue disponível em timor.blogs.sapo.pt.Timor-Leste, em particular Díli, vive uma situação de violência desde ofinal de Abril, depois de cerca de 600 soldados terem sidodesmobilizados das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL),após protestos contra alegados actos de discriminação étnica por partedos superiores hierárquicos.MSE.Lusa/fim