5.6.06

Timor-Leste: textos importantes

Milhares de pessoas fazem fila para receber arroz em Dili
Agência EFE (via Crocodilo Voador)
03:05 01/06, atualizada às 03:33 01/06Milhares de pessoas voltaram a se concentrar hoje nos armazéns governamentais de Dili para receber os sacos de arroz distribuídos para cobrir as necessidades básicas na capital do Timor Leste, onde cerca de 70 mil pessoas permanecem em acampamentos de refugiados devido à onda de violência. Uma longa fila esperava em frente ao armazém de arroz do Governo, no centro da cidade, onde cada família recebe um saco de 50 quilos. A distribuição terminou sem incidentes e sob a supervisão das tropas australianas. Vários tanques se posicionaram nos arredores para evitar saques. João Suarez, um pai de família com cinco filhos, era um dos timorenses que aguardavam pacientemente sua vez sob o sol que castiga a cidade. "Com 50 quilos, fico tranqüilo por 15 dias. Depois eu volto", disse à Efe Suarez, que há poucos dias voltou das montanhas, onde estava refugiado há duas semanas para escapar da violência. Suarez acrescentou que voltou a Dili esperando que a situação melhore. Ontem houve incidentes na área do mercado, onde grupos rivais promoveram incêndios. Mas hoje Dili respira uma situação de esperança, como disse o presidente, Xanana Gusmão, durante sua visita a um campo de refugiados. Na missão católica de Dom Bosco, na área do aeroporto, simpatizantes dos militares rebeldes queimaram hoje uma casa. Dom Bosco é o maior centro de refugiados de Dili, com 13 mil pessoas, em sua maioria da capital, que não se atrevem a voltar para suas casas. O padre salesiano Antonio Pinto disse à Efe que a situação está ficando crítica, com o fim das reservas de arroz e a paralisia do mercado local. As principais estradas que ligam Dili às províncias estão cortadas, e os comerciantes indonésios e chineses deixaram o país. "Se daqui a dois dias não chegarem mais mantimentos, entraremos numa crise total", disse.