5.6.06

Timor-Leste: textos importantes

Timor-Leste: Annan encoraja líderes a manterem a unidade e a assumirem erros
Lisboa, 01 Jun (Lusa) - O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, encorajou hoje os dirigentes de Timor-Leste a prosseguirem esforços para se manterem unidos e a assumirem responsabilidade pelos erros cometidos, numa mensagem ao povo timorense a difundir pela rádio e televisão nacionais. Na mensagem, em inglês e em tétum, Annan afirma também que a actual violência no país constitui uma "profunda desilusão" e que todos - dirigentes e comunidade internacional, incluindo a ONU - devem "reflectir muito seriamente" sobre as causas da actual crise e sobre o futuro do país. "Os dirigentes devem assumir responsabilidade pelos erros que cometeram. Falei com os vossos líderes políticos e pedi-lhes que trabalhem com as comunidades civil e religiosa para pôr fim à crise. Se assim não for, a vossa comunidade nacional, que impressionou o mundo inteiro pela sua coragem e capacidade de recuperação, corre o risco de ser consumida por militâncias mesquinhas e interesses pessoais", afirma Annan. O secretário-geral da ONU diz-se "animado" com "o esforço determinado" que os líderes timorenses estão a fazer "para se manterem unidos, para porem fim à crise e para adoptarem medidas que se enquadram na Constituição" e encoraja-os a "prosseguirem nesta via, pondo de lado as suas diferenças, no interesse do povo e do país". "Peço aos membros das forças de defesa e de segurança que cumpram a sua obrigação de defender a constituição e de manter a lei e a ordem. E peço a todos que apoiem as medidas de emergência anunciadas a 30 de Maio", afirma, referindo-se à assumpção pelo Presidente da República timorense, Xanana Gusmão, dos poderes em matéria de segurança e de defesa. O secretário-geral da ONU exorta também o povo timorense a "enfrentar aqueles que o tentam dividir" e a "não permitir que pequenas diferenças lhe roubem a paz, a democracia e a liberdade a que têm direito". "Também a comunidade internacional, incluindo as Nações Unidas, deve olhar criticamente para o seu papel no passado recente e estar ao lado de Timor-Leste nesta hora", diz Annan, assegurando depois que as Nações Unidas "estão ao lado do povo timorense" e "vão continuar a estar quando retomarem a nobre tarefa de construir uma nação timorense unida e próspera". Há dois dias, em declarações à imprensa em Nova Iorque, Kofi Annan admitiu que a retirada das forças de paz da ONU de Timor-Leste pode ter sido prematura e defendeu que, em situações de administração pós-conflito, a ONU "tem de lá estar a médio ou longo prazo". Na mensagem, Annan afiança ainda aos timorenses que o país "tem um lugar especial no coração das Nações Unidas", razão pela qual é com "ansiedade e tristeza" que a organização assiste à actual crise. "Não devemos desesperar. Pelo contrário, devemos agir juntos, urgentemente, para impedir que a situação se agrave ainda mais", exorta. MDR. Lusa/Fim